A confirmação do primeiro caso de dengue em Blumenau neste ano deixa claro o novo momento que a cidade vive com a doença e o mosquito. Desde que houve a soltura dos wolbitos, em agosto de 2025, os números relacionados ao Aedes aegypti despencaram. O município, que chegou a registrar 39 mortes por dengue em 2024, zerou os óbitos após uma série de medidas.

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O primeiro caso confirmado de 2026 no começo desta semana é de um morador que se recupera bem, em casa. Blumenau não registra falecimentos devido à doença há pouco mais de um ano. A melhora no cenário está ligada não só às já consolidadas ações, como o fumacê, a borrifação residual intradomiciliar (que é a aplicação de inseticida com efeito prolongado nas paredes internas dos imóveis que possuem grande fluxo de pessoas), o recolhimento de entulhos e as visitas às residências — foram mais de 420 mil em 2025 —, mas também ao Wolbachia.

Na prática, o método consistiu em liberar os mosquitos vindos da biofábrica de Joinville com a bactéria Wolbachia por 11 bairros de Blumenau. Eles não possuem o vírus da dengue, Zika e chikungunya e na natureza acabam cruzando com os que têm e, nesse contato, repassam a bactéria para os filhotes. Com o tempo, o número de mosquitos com Wolbachia aumenta e, por consequência, os com maior capacidade de transmissão diminuem.

A iniciativa é coordenada pelo Ministério da Saúde, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e é considerada uma tecnologia natural, autossustentável e segura. A ação resultou em 10,6 milhões de mosquitos Aedes aegypti portadores da bactéria que impede a transmissão do vírus “invadindo” as ruas blumenauenses. Com as solturas, a prefeitura optou por parar de divulgar o número de focos do mosquito, já que não é possível saber se o ponto encontrado é do Aedes aegypti ou do wolbito.

Entre agosto e dezembro de 2025, Blumenau teve 25 casos de dengue. No ano anterior, no mesmo período, mas sem o Wolbachia, foram 89. Em todo 2024 foram quase 60 mil confirmações, contra 410 no ano seguinte. Diante do visível sucesso, vale o recado:

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“A administração municipal reitera a importância de a população continuar eliminando água parada e mantendo os cuidados habituais para evitar a proliferação de mosquitos, independentemente do método Wolbachia”, pede o governo municipal.