No interior de Herval d’Oeste, Meio-Oeste de Santa Catarina, entre campos que ganham tons de lilás ao entardecer, nasceu o que os proprietários definem como o primeiro lavandário oficialmente estruturado de Santa Catarina: o Refúgio do Sol. Mais do que um campo de flores, o espaço se tornou um parque de experiências que mistura natureza, espiritualidade, empreendedorismo e turismo rural.
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À frente do projeto estão Márcia Souza Correia, terapeuta, e o marido, Volnei Correia. A história, segundo ela, não começou com um plano estratégico ou uma inspiração europeia.
— A gente costuma dizer que foi a lavanda que nos escolheu. Não fomos nós que escolhemos a lavanda. O lavandário veio para nós como um presente de Deus — afirma Márcia.
Um terreno, dois sonhos
Em 2021, o casal comprou o terreno com objetivos bem definidos, ainda que diferentes. Volnei queria um espaço para descanso nos fins de semana. Já Márcia carregava outro sonho: ter um espaço próprio para atendimentos terapêuticos e eventos voltados ao público feminino.
— Eu sonhava em ter um lugar onde pudesse atender individualmente, fazer eventos de mulheres. E dentro desse sonho eu via outras mulheres trazendo seus próprios eventos, as coisas acontecendo ali — relembra.
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O projeto começou a ganhar forma nas redes sociais, onde o casal compartilhava cada etapa da construção. Em 2022, com o crescimento das cabanas de hospedagem na região, decidiram investir nesse modelo. No ano seguinte, chegaram os primeiros hóspedes.
O terreno foi dividido em dois espaços: na parte superior, onde fica o Mirante da Pedra, ponto usado para piqueniques e contemplação, permaneceram as construções de hospedagem. Na área mais abaixo, iniciaram o desmatamento e a construção do espaço holístico idealizado por Márcia.
Foi nesse momento que a lavanda entrou definitivamente na história.

3 mil mudas e um aprendizado na prática
A ideia de plantar lavanda surgiu quase de forma intuitiva.
— Lavanda tem tudo a ver com a proposta do espaço holístico — conta Márcia.
O entusiasmo foi tanto que Volnei plantou cerca de 3 mil mudas logo no início. No entanto, o que parecia simples revelou-se um desafio.
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— As lavandas começaram a morrer. A gente achava que era só plantar e ela ia sobreviver. Descobrimos depois que existe um momento certo de poda, que se não for feito, a planta morre — cita.
O que poderia ter sido o fim do projeto virou ponto de virada. O casal decidiu estudar profundamente o cultivo e descobriu técnicas específicas para manter a lavanda bonita o ano inteiro, conhecimento que, nos dias atuais, se transformou em mentoria. O curso, chamado “Segredos da Lavanda”, é ofertado para quem deseja iniciar plantios ou criar novos lavandários.
Além disso, durante as podas, surgiu outra oportunidade: a produção de óleo essencial. Eles investiram em um destilador próprio e passaram a extrair o óleo a partir da lavanda cultivada no local.

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Uma oportunidade inédita em Santa Catarina
Na fase de pesquisa, Márcia e Volnei descobriram que existiam apenas quatro lavandários estruturados no Brasil: um em Pernambuco, um em São Paulo e dois no Paraná. Nenhum em Santa Catarina.
— Quando entendemos isso, vimos que havia uma demanda de mercado. Não existia nenhum no estado — diz Márcia.
O casal passou, então, a investir em mais plantio, em espaços “instagramáveis” e na consolidação do parque de visitação. A hospedagem foi encerrada e o espaço superior passou a ser utilizado para atendimentos terapêuticos e pequenos workshops, retomando o sonho inicial da proprietária.
As visitações começaram oficialmente em setembro de 2024. Desde então, o Refúgio do Sol recebe visitantes de toda a região e de diferentes estados do Brasil.
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Cultura do feminino e experiência sensorial
Atualmente, o lavandário atrai majoritariamente mulheres. Márcia descreve o movimento como um resgate do feminino.
— A gente está criando a cultura da saia longa, do pé descalço, do chapéu, da cestinha, da colheita da lavanda. É um movimento muito bonito de mulheres vivendo um momento de paz e tranquilidade — comenta.
Além das visitações tradicionais, o espaço promove eventos como Luau e Sunset, com música ao vivo ao pôr do sol, ampliando a experiência sensorial entre os campos floridos.
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Como funcionam as visitações
A programação é organizada mensalmente:
- Primavera e verão: sexta a domingo, das 16h às 20h;
- Outono e inverno: sábado e domingo, das 15h às 19h.
Valores:
- Visitação tradicional: R$ 20 por pessoa;
- Eventos especiais com música ao vivo: R$ 40 por pessoa.
O espaço também recebe casamentos e celebrações intimistas; aniversários e confraternizações; chá revelação; ensaios fotográficos e grupos turísticos.
Impacto regional
O Refúgio do Sol atende, segundo Márcia, um raio médio de 200 quilômetros, com visitantes frequentes de cidades como Chapecó, Xanxerê e Xaxim. Além de atrair turistas, o lavandário impulsiona outros setores locais, como hospedagem e gastronomia, fortalecendo o turismo em Herval d’Oeste e consolidando o município como novo destino de experiências ao ar livre no Estado.
O que começou como um sonho de descanso e um desejo de acolhimento se transformou em referência estadual. Entre mudas que quase não resistiram e campos que atualmente florescem, Márcia resume a trajetória com a mesma convicção do início:
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— A lavanda veio até nós. E a gente apenas decidiu cuidar dela.






