O primo do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, Amauri Alberto Buzzi, registrou declarações em cartório sobre o caso de importunação sexual em uma praia de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense, no qual o magistrado catarinense é investigado. Ele afirma que estava na praia no dia e não percebeu nenhuma evidência do que foi relatado pela vítima.

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Amauri registrou a declaração na segunda-feira (9), em um cartório em Blumenau, no Vale do Itajaí, onde reside. Nesta terça-feira (10), o ministro pediu um afastamento de 90 dias após uma nova denúncia de importunação sexual. O STJ decidiu de forma unânime afastar Buzzi do cargo.

No documento, o primo de Buzzi afirma que estava em um guarda-sol a 15 ou 20 metros do mar na Praia do Estaleiro, no dia 9 de janeiro. Por volta do meio-dia, estaria na companhia da sua esposa, do ministro, da jovem que acusa o ministro, entre outras pessoas no local.

Em um determinado momento, ao retornar do mar, ele teria cruzado com Marco Buzzi e a jovem, que caminhavam até o mar, permaneceram lá por alguns minutos e depois saíram. Porém, Amauri afirma que não viu nenhum sinal de constrangimento naquele momento, e que Buzzi teria dificuldades para se locomover.

O relato de Amauri alega:

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  • Que Marco Aurélio é deficiente físico e tem severas dificuldades de locomoção, e que precisa de ajuda para sair do mar;
  • Que não viu nenhum sinal de constrangimento;
  • Que a água na Praia do Estaleiro logo no início não dá pé;
  • Que a praia estava muito movimentada no dia;
  • Que não existe ponto na praia que seja isolado;
  • Que após sair da água, a jovem caminhou tranquilamente até sua mãe, que se encontrava no guarda-sol.

O NSC Total não conseguiu contato com Amauri.

O que diz a defesa da vítima

Em nota, a defesa da jovem informou que a prioridade é preservar a vítima e sua família.

“Como advogado da vítima e de sua família, informamos que neste momento o mais importante é preservá-los, diante do gravíssimo ato praticado. Aguardamos rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes.”

Relembre o caso

Buzzi é alvo de uma denúncia de importunação sexual contra uma jovem de 18 anos em uma praia de Balneário Camboriú, no Litoral Norte catarinense. Na segunda-feira (9), a Corregedoria Nacional de Justiça abriu uma reclamação disciplinar para apurar uma nova denúncia de suspeita de importunação sexual (veja nota completa abaixo).

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No dia 5 de fevereiro, um dia após o caso envolvendo a jovem de 18 anos vir à tona, o ministro já havia apresentado um atestado. Ele estaria internado e sem previsão de alta, após colocar um marca-passo.

Na semana passada, o gabinete do ministro Marco Buzzi emitiu uma nota: “O ministro Marco Buzzi informa que foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas por um site, as quais não correspondem aos fatos. Repudia, nesse sentido, toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”. 

Único ministro catarinense

Buzzi, atualmente, é o único ministro catarinense no STJ. Natural de Timbó, no Vale do Itajaí, ele tem 68 anos. Oriundo da carreira da magistratura, foi nomeado em 2011 para o STJ através de uma das cadeiras abertas para desembargadores dos Tribunais de Justiça.

Nesta segunda-feira (9), uma nova denúncia de suspeita de abuso foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça, que divulgou a seguinte nota:

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“Sobre as notícias envolvendo Ministro do Superior Tribunal de Justiça, a Corregedoria Nacional de Justiça informa que segue realizando diligências, com a oitiva, nesta data, de possível vítima de fatos análogos àqueles que são objeto de procedimento em curso, tendo sido aberta nova reclamação disciplinar para apuração destes novos fatos. Tais procedimentos tramitam sob sigilo legal, medida indispensável para preservar a intimidade e integridade das pessoas envolvidas e para a adequada condução das investigações”.

O que diz Marco Buzzi

“Caros colegas,

Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.

De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.

Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.

Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.

Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.

Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.

Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.

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Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.

De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.”