O homem apontado como o principal aliciador de “mulas” de uma organização criminosa foi preso em Blumenau nesta terça-feira (14). A Polícia Civil chegou até o suspeito depois da operação Moscou, que prendeu o irmão dele no aeroporto de Florianópolis enquanto tentava embarcar com drogas inseridas no ânus, na semana passada.

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O homem de Blumenau pertencia ao grupo desmantelado pela polícia, que considera a detenção um avanço crucial nas investigações, revelando a estrutura quase completa da associação criminosa que atuava no recrutamento de transportadores para o tráfico interestadual e internacional de drogas.

Segundo a apuração, o preso era responsável por identificar e recrutar pessoas em situação de vulnerabilidade social ou com dívidas, coordenar as viagens e fornecer instruções específicas, fazer a ponte entre o líder e o dono do laboratório preso na sexta-feira (10). Ele também monitorava as “mulas” através de AirTags.

A prisão ocorreu no bairro Itoupava Norte e foi possível após a análise de comunicações entre os envolvidos. Durante a operação, foram apreendidos documentos, celulares e considerável quantidade de cocaína na casa do suspeito, avaliada em aproximadamente R$ 50 mil no Brasil (e que pode chegar a R$ 500 mil na Europa).

O suspeito foi preso em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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Segundo a Polícia Civil, uma propriedade de luxo, localizada em Jurerê Internacional, servia como fachada para as atividades criminosas. A escolha do local não foi por acaso, já que o bairro possui uma movimentação intensa de pessoas e veículos que não desperta suspeitas, permitindo que o grupo operasse sem chamar atenção, indicou a Polícia Civil.

Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na capital na semana passada, as equipes especializadas localizaram um laboratório completo para processamento e refinamento de cocaína, equipado com produtos químicos controlados (ácidos sulfúrico e clorídrico), equipamentos laboratoriais sofisticados (centrífuga, proveta, béqueres), matéria-prima (folhas de coca), quantidades expressivas de cocaína já processada e valores em espécie de diversas nacionalidade que chegam a quase R$ 200 mil.

A investigação teve início após uma denúncia anônima que levou à prisão, na quinta-feira (9), da “mula humana” no Aeroporto Internacional Hercílio Luz. A pessoa foi flagrada tentando embarcar para São Paulo com drogas inseridas no ânus, possivelmente tendo como destino final a cidade de Moscou, na Rússia, conforme a Polícia Civil.

“O modus operandi evidencia uma rede criminosa internacional bem estruturada, com divisão específica de tarefas: produção em laboratório clandestino, recrutamento de transportadores e distribuição no exterior”, disse o órgão policial por meio de nota.

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Veja fotos da operação Moscou