O filme catarinense “Um Dia Extraordinário” será destaque na Tela Quente, com transmissão da NSC TV logo após o BBB, na próxima semana. A exibição em rede nacional será na segunda-feira (23), às 23h, mas também ficará disponível no Globoplay por uma semana depois da transmissão.

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A obra é uma produção da Novelo Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, e tem a direção da premiada cineasta Cíntia Domit Bittar. As filmagens percorreram Santa Catarina, chegando a Florianópolis e Bom Retiro, mas a maior parte do filme foi gravada no Oeste catarinense, em Abelardo Luz. A trama mistura drama familiar e realismo regional para contar a história de um reencontro marcado por memórias, afeto e um misterioso agroglifo que surge na plantação da protagonista.

A equipe, com cerca de 80 profissionais envolvidos entre produção e pós-produção, revela que um dos grandes desafios foi criar uma história inspiradora, com classificação livre, intergeracional e com uma forte identidade catarinense, mas sem ser caricata. Era preciso investir em um regionalismo sutil, mas que também tivesse a riqueza de sotaques e gírias preservadas, com referências culturais e paisagísticas. Além disso, buscaram trabalhar com a memória afetiva catarinense pela escolha do figurino, comidas e objetos, como a colcha típica trazida da casa do pai da diretora.

A direção de arte, feita por Dicezar Leandro, diretor de arte e egresso de Blumenau, também enfrentou um desafio inédito. Foi preciso construir um agroglifo real para as gravações e com uma pequena equipe. O desenho, com 105 metros por 53 metros, foi criado com precisão milimétrica, usando estacas, cordas e até um “compasso gigante” para garantir a simetria. A equipe precisou lidar com plantas ainda verdes, chuva e condições climáticas instáveis até chegar ao resultado ideal. O processo contou até com o auxílio de imagens de drone para acompanhar a formação do desenho no campo.

Veja algumas cenas do filme

Conheça mais a história do filme

A história acompanha Moira, interpretada por Alana Bortolini, que é uma jovem agricultora que permanece no campo para cuidar da mãe idosa, enquanto os irmãos seguiram a vida em outras cidades. A aparição de um enorme agroglifo, uma figura geométrica desenhada na plantação, interrompe a rotina e provoca o retorno dos irmãos, obrigando a família a encarar conversas adiadas sobre envelhecimento, cuidado e distância.

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O enredo inteiro do filme acontece durante um dia da família, no qual Moira precisa lidar, ao mesmo tempo, com o fenômeno misterioso e com as tensões familiares. A narrativa transita entre gêneros e aposta em um drama agridoce, daqueles que despertam identificação e reflexão.

Moira é descrita como uma mulher forte que escolheu ficar no campo. Filha temporã, vive uma relação intensa com a mãe, que enfrenta as dores da perda gradual de memória. A matriarca, interpretada por Margarida Baird, é uma senhora independente, fascinada pelo céu e por extraterrestres, obsessão que dialoga com o surgimento do agroglifo, que não é apenas mais um elemento visual da obra. A diretora conta que o interesse pelo tema vem de 2015, quando esteve na região para registrar o fenômeno em um documentário.

— Eu sempre pensei em aproveitar esse tema no universo da ficção. De ter esse sinal como um disparador da trama. E finalmente surgiu a oportunidade — conta Cíntia.

Já Cecília, interpretada por Paula Braun, é a outra filha que foi embora e encontra dificuldade em voltar, tanto pela rotina quanto pelo impacto de ver a mãe envelhecer.

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— A gente acaba sendo atropelado pela vida e vai esquecendo esses momentos extraordinários que a gente passa com as pessoas que fazem parte da história e que a gente ama — pondera a atriz.