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    Produtores do Oeste jogam leite fora para protestar contra crise do setor 

    Entidade pede políticas de incentivo aos pequenos produtores e barreiras à importação; sindicatos também se manifestam contra reformas do governo federal

    18/10/2017 - 09h04 - Atualizada em: 18/10/2017 - 11h48

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    Por Redação NSC

    Sindicatos ligados à CUT e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) em Santa Catarina mobilizam protestos em quatro cidades do Oeste catarinense nesta quarta-feira. A expectativa é que 2 mil trabalhadores participem das manifestações em Chapecó, São Miguel do Oeste, Xanxerê e Maravilha para protestar contra a reforma da Previdência, as privatizações, os cortes em políticas públicas, pela revogação da reforma trabalhista e contra a crise no setor leiteiro.

    — Precisamos que o governo adote políticas públicas, como barrar a importação de leite, que está derrubando o preço do leite para o produtor (nacional), que já não cobre os custos, e também faça a aquisição do produto para os programas sociais- diz o coordenador da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) em Santa Catarina, Alexandre Bergamin.

    Além da importação de leite o setor vive um momento de crescimento da oferta, em virtude do clima favorável, ao mesmo tempo em que há retração de consumo por conta da crise. Em Santa Catarina a produção cresceu 165% nos últimos 15 anos. O Estado alcançou no ano passado a quarta posição em produção de leite, ultrapassando Goiás. São 3,1 bilhões de litros por ano, o equivalente a 442 litros por pessoa. Se for levada em conta que a média de consumo do brasileiro é de 180 litros per capita, Santa Catarina produz o dobro do que consome.

    O mercado nacional está abastecido, já que houve um crescimento de cerca de 6% na produção no primeiro semestre. E, além de receber o produto importado, o Brasil exporta menos de 2% da sua produção. Até agosto importou 128 mil toneladas e exportou 71 mil toneladas. Com isso, o produtor viu o preço cair mais de 40% em relação ao ano passado, ao passar de R$ 1,50 por litro para R$ 0,94. Quem acabou sendo beneficiado foi o consumidor.

    Em Chapecó o litro de leite longa vida caiu mais de 30% nos últimos dois meses, baixando de R$ 2,70 para R$ 1,90 ou até a menos de R$ 1,70 em algumas promoções. Em alguns momentos do ano passado o litro chegou a estar próximo de R$ 4, quando havia queda na produção.

    O governo federal chegou a suspender as importações do Uruguai no início do mês. Mas o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, acredita que com a retomada da economia haverá aumento de consumo e a consequente recuperação do setor. O secretário adjunto de Estado da Agricultura, Airton Spies, por outro lado, acredita que a saída para o Brasil e para Santa Catarina é exportar. Para isso, diz, é preciso reduzir custos e melhorar a qualidade. Em SC, há 80 mil famílias que produzem leite, sendo que 60 mil comercializam e as demais produzem para subsistência.

    Pauta de reivindicações da Fetraf-Sul

    - Revisão urgente, por parte do governo federal, nas importações de leite, estabelecendo cláusulas de barreiras;

    - Regulamentação da atividade leiteira em Santa Catarina, com uma política clara de fortalecimento da agricultura familiar e a produção de leite à base de pasto com baixo custo e melhor qualidade, definindo política de preços, quota de produção e fomento de consumo;

    - Criação de uma linha de crédito para as cooperativas e agroindústrias de pequeno e médio porte para não se desfazer de capital e honrar com seus compromissos junto aos agricultores.

    - Política de incentivo fiscal às pequenas cooperativas e agroindústrias familiares do setor. Atualmente o Estado concede aos grandes laticínios milhões por ano com isenções fiscais. E as pequenas agroindústrias familiares quanto?

    - Retomada imediata por parte da Conab das políticas institucionais de compra de leite para estoque regulador;

    - Que os pequenos produtores tenham a garantia que seu trabalho não será medido pela quantidade e sim pela qualidade do leite produzido.

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