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Educação 

Professor homossexual é alvo de campanha de boicote em eleições para direção de escola em Gaspar

Em um grupo no WhatsApp, mãe de alunos da Escola Professora Dolores L. S. Krauss sugere que educador não seria bom exemplo para crianças

22/11/2019 - 17h50 - Atualizada em: 22/11/2019 - 21h43

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Redação
Por Redação Santa

As eleições para diretores das escolas da rede municipal de ensino de Gaspar, que ocorrem nesta sexta-feira em 21 unidades da cidade, foram marcadas por um episódio de preconceito. A partir de um grupo de WhatsApp formado por pais de alunos da Escola Professora Dolores L. S. Krauss, uma mãe enviou áudios sugerindo um boicote ao professor de Matemática Lodemar Luciano Schmitt, único candidato ao cargo no educandário localizado no bairro Figueira. Segundo ela, o profissional com quase 19 anos de experiência na rede municipal e 26 na estadual não poderia ser diretor por sua orientação sexual.

Nos áudios, que acabaram viralizando pelo aplicativo, a mulher argumenta que Lodemar seria um mau exemplo para as crianças da escola por ser do sexo masculino, mas se vestir e se parecer com uma mulher. Por isso, os pais e mães de alunos da escola deveriam votar "não" nas eleições desta sexta. Mesmo com chapa única, um candidato só pode ser nomeado diretor caso tenha maioria dos votos válidos.

— Eu já participei de duas eleições para diretor na Escola Luiz Franzoi, e nas duas ocasiões também houve esse tipo de comentário. Mas nunca ninguém tinha publicado, postado, registrado algo. Eu tenho 45 anos e nunca fiz nada em relação às situações de preconceito que passei. Mas talvez agora seja um momento de mostrar que as pessoas até podem ter preconceito contra um negro, um gay, um nordestino, mas elas não podem sair por aí difamando uma pessoa por conta disso sem nenhuma consequência — revela o professor.

Lodemar, que já havia se candidatado em 2013 e 2017 ao cargo de diretor de outra escola de Gaspar (Luiz Franzoi, no Bateias), ficou surpreso com a repercussão do episódio, que gerou notas de repúdio do Sindicato dos Trabalhadores em Educação na Rede Pública de Ensino do Estado (Sinte-SC) e da CUT-SC. Ele também recebeu manifestações de apoio de vários ex-alunos e pais.

Os áudios foram enviados originalmente na quarta-feira. No dia seguinte, o advogado de Lodemar entrou em contato com mãe e, horas depois, ela escreveu um post em uma rede social onde se dizia arrependida com a campanha lançada contra o professor e pedia desculpas a ele. O post, no entanto, foi apagado por volta das 12h30min desta sexta-feira. A reportagem tentou contato com ela pela rede social, mas não obteve retorno.

Na Escola Dolores Krauss, a eleição vinha ocorrendo sem qualquer ocorrência até o começo da tarde. A Secretaria Municipal de Educação monitora a situação, mas segundo sua assessoria não pode tomar nenhuma medida administrativa porque o fato se deu, até o momento, sempre fora da unidade de ensino.

— A escola repudia qualquer forma de discriminação ou preconceito. A situação hoje foi com o Lodemar, mas amanhã pode ser com outra pessoa, com um aluno. São coisas que podem gerar casos de bullying e depressão, e sempre tentamos agir muito rápido em relação a isso — comenta a atual diretora da escola, Sirlei Silva de Jesus Miranda.

Escola em Gaspar
Em post no Facebook, apagado posteriormente, mãe se diz arrependida e pede perdão ao professor
(Foto: )

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