À beira do caminho entre os tempos modernos e as tradições antigas, há um lugar que revela as conexões profundas entre o rural e o urbano. É um espaço que fala sobre impacto do progresso nas comunidades rurais e suas formas de resistência. Na obra da artista e professora Diana Chiodelli, esse lugar se encontra nas casas onde os próprios avós moraram.

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A artista assina a exposição Casa-Corpo-Roça-Gente, que está aberta para visitação na Galeria de Artes Agostinho Duarte, em Chapecó. As obras apresentadas foram compostas por ela e seus avós, Virte e Leonel Locatelli. Juntos, eles formam o Coletivo Tapera.

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De acordo com Diana, a fonte de inspiração do trabalho são as memórias afetivas construídas entre a casa que vivem atualmente, no centro da cidade de Chapecó, e a tapera que resiste ao tempo, no interior do Rio Grande do Sul, onde viviam. Desenhos, textos, vídeos e instalações compõem a exposição.

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Exposição Casa-Corpo-Roça-Gente, de Diana Chiodelli (Foto: Divulgação)

— Meus avós e eu, há mais de quatro anos, construímos projetos juntos, pensamos e nos emocionamos com as memórias de nossos corpos-casa. Nós três nos ouvimos, nos contestamos, nos envergamos para entender o outro. Cavamos fundo a terra de onde brotam nossas raízes, para entender que o que vem do fundo da gente, é o centro de tudo — reflete a artista.

Antes mesmo de entrar na exposição, os visitantes se deparam com rituais simples, mas carregados de significado. Virte lava as mãos na pia, Leonel insiste para que entrem pela porta e não pela janela. Juntos, eles distribuem pedaços de memória guardados em fotografias selecionadas, desenhando a proposta das obras: a silhueta das casas-memórias que um dia foram seus lares.

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Diana conta que a composição das obras iniciou com a montagem digital de fotografias antigas com atuais.

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— Nos registros de fotografias analógicas que eles faziam da antiga casa, Leonel aparece sempre de fora, na lavoura. Atualmente, quando visitamos a tapera da antiga propriedade, ele chegou até o lugar onde fazia o roçado utilizado para o plantio da soja e emudeceu. Nenhum som foi ouvido, a não ser o som ensurdecedor que misturava o barulho do vento nos eucaliptos e a sua respiração, descompassados. Num desses encontros de Leonel com a antiga lavoura, registrei em fotografia a paisagem do silêncio, e me provocou a sua imagem ausência — diz a artista.

Ao explorar o espaço de terra simbolicamente guardado como protesto à política fazedora de taperas, Diana e seus avós não apenas resgatam as memórias do lugar, mas também lançam um olhar crítico sobre o futuro que se desenha. Terra, sementes e outros elementos são coletados não apenas como objetos inanimados, mas como testemunhos vivos de uma história que insiste em resistir às investidas do progresso desenfreado.

A exposição fica aberta para visitação gratuita até o dia 7 de maio. A Galeria de Artes Agostinho Duarte fica localizada no campus da Unochapecó, no bairro Efapi.

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