Quando falamos de doenças infectocontagiosas logo lembramos da Covid-19 — e como não lembrar? Milhões de vidas perdidas para um vírus. Mas para 2025 a preocupação inicial são as gastroenterites, as chamadas viroses, que é o termo mais popular. Aliás, já estamos vivenciando um surto de gastroenterites no litoral brasileiro e aqui em Santa Catarina não é diferente.
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As gastroenterites provocam sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, cólicas intestinais, fraqueza e febre. A duração pode variar de um dia a uma semana, e a desidratação é a nossa grande preocupação. A transmissão é fecal-oral, ou seja, mão suja preparando um alimento, por exemplo, ou colocando um gelo no seu copo ao tomar um refresco neste verão. Lembra quando sua mãe, sabidamente dizia: lave as mãos após ir ao banheiro? Então, é justamente para evitar a contaminação fecal-oral e, assim prevenir de que você adquira uma gastroenterite. Os agentes envolvidos nas gastroenterites são geralmente o norovírus, rotavírus e adenovírus, mas que são de difícil identificação.
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Como você pode evitar? Simples: higiene. Lave as mãos com água e sabão sempre que necessário, antes das refeições, e depois de ir ao banheiro. Não consuma alimentos de procedência duvidosa, não tome gelo fora de casa, não consuma alimentos crus — saladas e vegetais também, viu? —, lave as mãos antes de manusear alimentos, tome somente água de boa procedência, lave bem as frutas, legumes e vegetais e faça a desinfecção com solução clorada, utilizando hipoclorito de sódio a 2% ou 2,5% — adicione 1 colher de sopa rasa de hipoclorito em 1 litro de água filtrada ou fervida. Mergulhe os alimentos para desinfecção, deixando agir por 15 minutos. Depois, enxágue.
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Preocupação com as arboviroses
Agora, sem dúvidas, as arboviroses, são de longe a nossa maior preocupação para este ano. Teremos epidemia de dengue, febre Oropouche e chikungunya, mas aqui, destaco a dengue, caro leitor.
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Dados do Painel do Ministério da Saúde mostram que o país registrou, durante o ano de 2024, quase 6,5 milhões de casos prováveis de dengue e 5.972 mortes provocadas pela doença. Há, ainda, 908 óbitos em investigação. Em Santa Catarina de cordo com a Dive-SC, no período de 31 de dezembro de 2023 a 16 de dezembro de 2024, foram identificados 66.006 focos do mosquito Aedes aegypti em 257 municípios. Dos 295 municípios catarinenses, 175 são considerados infestados.
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Santa Catarina registrou 345.846 casos prováveis (confirmados, inconclusivos e suspeitos). Em comparação com o mesmo período do ano 2023, observa-se um aumento de 146% no número de casos prováveis. Agora, quando falamos em óbitos, foram confirmados 340 óbitos no Estado em 2024. Infelizmente, este ano de 2025, devemos bater recordes de casos. Isso se deve a alguns fatores, como a maior probabilidade de chuvas neste verão, o que facilita a procriação dos mosquitos. Outro fator importantíssimo são as queimadas e os efeitos climáticos extremos que estão acontecendo, que são fatores-chave para a emergência das arboviroses, aliado à nossa falta de conscientização, pois, quando o assunto é cuidar do nosso quintal de casa, infelizmente nós, brasileiros não estamos fazendo o dever de casa. Lixo jogado no chão, água parada em todos os cantos e por aí vai.
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Alerta sobre gripe aviária
A outra doença de preocupação para 2025 é a gripe aviária. É o subtipo H5N1 da gripe A. Este vírus é encontrado em aves selvagens e domésticas, mas já infectou o gado leiteiro em vários estados dos EUA e foi encontrado em cavalos na Mongólia. Ou seja, já temos o vírus em mamíferos e podendo afetar humanos. Em 2024, ocorreram 61 casos nos EUA, em trabalhadores de fazenda entrando em contato com gado infectado e pessoas bebendo leite cru.
Um fato a nosso favor, é que a gripe aviária, até este momento não transmite de humanos para humanos, mas um estudo recente mostrou que uma única mutação no genoma da gripe poderia tornar o H5N1 apto a se espalhar de humano para humano. Bom, se isso acontecer, já sabemos onde estaremos, em mais um quadro viral de grande possibilidade pandêmica.
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Vocês já perceberam que as doenças infectocontagiosas estão a cada vez mais presentes entre nós? Sim! Elas estão e vão aumentar, a cada dia mais. Os fatores são inúmeros desde falta de conscientização popular em ter o mínimo de higiene (como simplesmente lavar as mãos) até o discernimento e respeito entre nós de uso de máscara se estou com tosse ou sintoma respiratório. Vacinação, e conscientização coletiva é o mínimo que precisamos para conter novos surtos indesejáveis.
Por Sabrina Sabino, médica infectologista, formada em Medicina pela PUCRS, mestre em Ciências Médicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora de Doenças Infecciosas na Universidade Regional de Blumenau.
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