A carne suína vive um momento de transformação no Brasil. Antes associada principalmente ao consumo em datas comemorativas ou restrita a cortes tradicionais vendidos nos açougues, a proteína passou a ganhar espaço na rotina dos brasileiros e deve atingir um recorde de consumo em 2026. A estimativa do setor é de que cada brasileiro consuma, em média, 19,5 quilos de carne suína ao longo do ano, consolidando a proteína como uma das que mais avançam no mercado nacional.
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Por trás desse crescimento está uma combinação de fatores. A indústria ampliou a oferta de cortes porcionados, produtos temperados e itens prontos para o forno e para a air fryer, apostando na praticidade como forma de conquistar novos consumidores. Ao mesmo tempo, empresas investem na profissionalização dos açougues e na valorização da marca, buscando transformar uma categoria historicamente baseada em preço em um mercado de maior valor agregado.
Hoje, a carne suína já está presente em 93% dos lares brasileiros. Ainda assim, o setor convive com um desafio importante: aproximadamente 80% do volume comercializado nos açougues é vendido sem identificação de marca ou procedência, realidade que dificulta a padronização dos produtos e reduz as possibilidades de diferenciação no ponto de venda.
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É justamente nesse espaço que a Seara, empresa da JBS, concentra sua estratégia de crescimento. A companhia afirma que mais da metade da receita obtida com carne suína já vem de produtos de maior valor agregado e pretende ampliar ainda mais essa participação nos próximos anos, apostando na inovação do portfólio e na transformação da experiência de compra.
Santa Catarina ocupa posição central nesse cenário. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Estado lidera a produção e as exportações brasileiras de carne suína e concentra uma das principais cadeias produtivas do país. A JBS mantém operações em 24 municípios catarinenses, emprega cerca de 24 mil pessoas e trabalha com mais de 2,5 mil produtores integrados.
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Na cadeia de suínos, a Seara possui três unidades industriais instaladas no Oeste catarinense, nos municípios de Seara, Itapiranga e São Miguel do Oeste, responsáveis pelo processamento de parte significativa da produção da empresa.
Aposta nos açougues
Uma das principais frentes da estratégia da companhia é o programa Açougue Suínos Seara Reserva, criado para modernizar o varejo especializado e elevar o padrão de comercialização da carne suína.
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A iniciativa oferece treinamento para açougueiros, consultoria técnica, orientação sobre exposição dos produtos e fornecimento de cortes certificados. Segundo a empresa, o objetivo é reduzir perdas, melhorar a padronização dos cortes e proporcionar aos consumidores uma experiência semelhante à encontrada nas grandes redes de supermercados, mesmo em açougues de bairro.
Atualmente, o programa está presente em mais de 1,3 mil lojas espalhadas pelo país e conta com uma equipe de mais de 130 consultores especializados. Conforme a companhia, cerca de 93% dos estabelecimentos permanecem no programa, que também contribui para aumentar o fluxo de clientes e melhorar os resultados financeiros dos varejistas.
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Para João Victor Bobsin, diretor executivo comercial da Seara, o mercado brasileiro vive uma mudança de perfil.
— Nosso foco é liderar a evolução da carne suína no Brasil, saindo de um mercado pouco diferenciado para um modelo baseado em marca, padronização e valor agregado. O programa conecta indústria e varejo, melhora a eficiência da cadeia e oferece uma experiência de compra mais qualificada ao consumidor — afirma.
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Produtos premium e conveniência
Além da transformação do varejo, a empresa também investe na diversificação do portfólio para ampliar as ocasiões de consumo.
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Segundo a Seara, produtos de maior valor agregado, como cortes porcionados, carnes temperadas e opções desenvolvidas para preparo no forno ou na air fryer, já representam 49% da receita da categoria. A meta é elevar esse percentual para 60% até 2027.
Entre os produtos que fazem parte dessa estratégia estão cortes premium, como prime rib suíno e medalhão de filé mignon suíno, além das linhas Suculentíssimo e Seara Reserva, voltadas ao consumidor que busca praticidade sem abrir mão da qualidade.
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De acordo com o presidente da Seara, João Campos, o crescimento do consumo reflete uma mudança no comportamento do brasileiro.
— O brasileiro redescobriu a carne suína, e nosso objetivo é liderar essa nova fase. Investimos em inovação para oferecer soluções de consumo que unem qualidade e praticidade exigidas pelo dia a dia — diz.
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Mudança de comportamento
A aposta em produtos prontos e cortes diferenciados acompanha uma tendência observada em diferentes segmentos da alimentação: consumidores têm buscado refeições mais rápidas, sem abrir mão da qualidade, o que impulsiona categorias voltadas à conveniência.
Na avaliação da companhia, essa mudança ajuda a explicar o crescimento do consumo da carne suína e abre espaço para ampliar a presença da proteína em refeições do cotidiano, substituindo a ideia de que ela é destinada apenas a ocasiões especiais ou preparos mais elaborados.
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