Uma carta anônima levou a freira brasileira Aline Pereira Ghammachi, até então madre-abadessa do Mosteiro San Giacomo di Veglia, na Itália, a perder o cargo e enfrentar acusações de maus-tratos. Como consequência, mais onze freiras deixaram o mosteiro que ela comandava. Agora, Aline diz buscar por justiça.

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Nascida no Amapá e formada em administração de empresas, a irmã Aline foi tradutora de documentos sigilosos, intérprete de eventos, e dedicou a vida à Igreja. Aos 33 anos, em fevereiro de 2018, foi indicada para chefiar o Mosteiro San Giacomo di Veglia.

Em uma carta anônima enviada ao papa Francisco dois anos atrás, Aline foi denunciada de maus-tratos e de ocultar o orçamento do mosteiro. Um auditoria teve início no local depois do episódio.

A freira teria sugerido que o caso fosse arquivado, contudo, ele foi reaberto meses depois

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— Acredito que tenha sido a pedido de frei Mauro Giuseppe Lepori. Ele dizia que eu era bonita demais para ser abadessa, ou mesmo para ser freira. Falava em tom de piada, rindo, mas me expôs ao ridículo — conta.

Ele é abade-chefe da ordem que dirige o mosteiro, com quem Aline trabalhou por anos. Em 2024, outra visitadora apostólica foi enviada até o mosteiro.

— Ela não fez nenhum teste conosco, não fez absolutamente nada, apenas teve uma conversa. E chegou à conclusão de que eu era uma pessoa desequilibrada e que as irmãs tinham medo de mim — conta.

Enquanto o papa Francisco estava doente, a irmã ficou sabendo que perdeu o seu cargo e que uma nova madre-abadessa assumiria a comunidade. No dia da morte do papa, a nova abadessa, de 81 anos, chegou afirmando que “estava lá em nome dele”.

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— Isso aconteceu num dia de luto para a Igreja, e num dia em que nós não poderíamos recorrer a ninguém. Chega essa comissária e se diz representante de uma pessoa que não existe mais — relata a irmã Aline.

Ela ouviu que teria que sair do mosteiro e ficar isolada em outra comunidade católica. Contudo, a mudança não foi bem aceita por Aline, que alega não saber a razão de ter sido mandado embora, e que não houve uma denúncia formal ou julgamento.

Saída de freira brasileira resultou em outras 11 irmãs deixando o local

Uma semana depois, no dia 28 de abril, Aline deixou o Mosteiro San Giacomo di Veglia. No dia seguinte, cinco irmãs fugiram somente com o hábito do corpo e foram até uma delegacia, por não aguentarem a pressão que se criou no local.

Outras freiras e noviças deixaram o mosteiro desde então, resultando na saída de 11 das 22 mulheres que vivam no local desde que Aline se foi. As que ficaram, são mais velhas, acima dos 80 anos.

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A Igreja não se pronunciou oficialmente sobre o caso. O frei Mauro Giuseppe Lepori comentou os acontecimentos em um jornal.

— A ex-abadessa está se libertando, acreditando que pode recuperar o poder e a vaidade por meio de mentiras e manipulação da mídia — disse.

Desde então, Aline passou alguns dias na casa da sua irmã em Milão e foi até o Vaticano onde pretende recorrer do que considera uma injustiça.

*Com informações da Folha de S. Paulo

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