O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, oficializou a indicação de Guilherme Mello para o Banco Central (BC). Considerado o principal “estrategista econômico do PT”, Mello ocupa atualmente o cargo de Secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda e é um dos braços direitos de Haddad na condução da agenda econômica do governo Lula.
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A escolha ocorre em um momento estratégico, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, nível considerado elevado pelo Palácio do Planalto.
Perfil acadêmico e pensamento econômico
Guilherme Mello não vem do mercado financeiro tradicional, mas sim do núcleo pensante da academia. Sua formação reflete uma visão de Estado como indutor do crescimento:
- Formação: Mestre em Economia Política pela PUC-SP e doutor em Ciência Econômica pela Unicamp.
- Escola da Unicamp: Mello é associado à linha heterodoxa, que se diferencia da visão liberal (ortodoxa) predominante na Faria Lima. Para ele, o investimento público é o motor central do desenvolvimento.
- Especialidade: Suas pesquisas focam no sistema financeiro, derivativos e no papel do valor no capitalismo contemporâneo, com olhar crítico à crise do subprime.
O papel de Mello para “domar” o Banco Central
A indicação de Guilherme Mello é vista como uma tentativa do governo de mudar o eixo de atuação do BC por dentro. Diferente de diretores com perfil estritamente monetarista, Mello defende um mandato dual para a autoridade monetária.
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Para o economista, o Banco Central não deve focar exclusivamente no controle da inflação. Mello é o principal expoente da tese de que a instituição precisa atuar ativamente para garantir o pleno emprego e a estabilidade da atividade econômica.
Com sua chegada, o governo Lula espera equilibrar as discussões no Copom, trazendo um contraponto técnico à atual política de juros altos e reforçando a visão de que o crescimento econômico deve estar no centro das decisões da autarquia.
*Com edição de Luiz Daudt Junior.

