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Mudança no comando

Quem é Nelson Teich, novo ministro da Saúde que vai comandar combate ao coronavírus

Oncologista e empresário do setor de saúde foi confirmado no lugar de Luiz Henrique Mandetta e também defende isolamento social

16/04/2020 - 15h54 - Atualizada em: 16/04/2020 - 18h38

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Jean
Por Jean Laurindo
Nelson Teich foi confirmado no cargo de ministro nesta quinta-feira
Nelson Teich foi confirmado no cargo de ministro nesta quinta-feira
(Foto: )

O oncologista e empresário da saúde Nelson Luiz Sperle Teich foi confirmado como o novo ministro da Saúde do governo Bolsonaro. Ele vai conduzir as ações da pasta durante o restante da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

A mudança foi oficializada na tarde desta quinta-feira (16), quando o presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro Luiz Henrique Mandetta, que estava à frente do ministério desde o início do governo, em janeiro de 2019.

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Nelson Teich se reuniu com o presidente Bolsonaro na manhã desta quinta no Palácio do Planalto e conversou sobre ações no combate ao coronavírus. Ele é nascido no Rio de Janeiro, formado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e especialista em Oncologia pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca).

O novo ministro é considerado um dos principais oncologistas do país e é fundador do grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas). Ele oferece consultoria em Economia da Saúde para o Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Entre setembro de 2019 e janeiro de 2020, foi assessor de Denizar Vianna, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, considerado um dos braços direitos do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

Teich também foi sócio de Denizar em um instituto de educação e pesquisa, o MDI.

Teich é ligado ao bolsonarismo, mas manifestou apoio ao chamado isolamento horizontal, de todas as pessoas, como forma de combater o avanço do novo coronavírus. O posicionamento é semalhante ao de Mandetta e vai contra o que defende o presidente Jair Bolsonaro, que em pronunciamentos já defendeu uma espécie de isolamento vertical, com distanciamento apenas de idosos ou pessoas com doenças de risco.

O novo ministro chegou a ser cotado para o posto após a eleição de Bolsonaro em 2018, mas quem acabou sendo chamado para o cargo foi Mandetta.

Novo ministro criticou visão polarizada

Segundo a Folha de S. Paulo, a avaliação de Bolsonaro é de que Teich poderia ter uma condução mais equilibrada das ações do Ministério, entre medidas para reduzir o número de mortes e iniciativas para atenuar o impacto econômico.

Em artigo publicado recentemente na rede social LinkedIn, Teich criticou o que chamou de "polarização" no debate sobre a pandemia do coronavírus no Brasil, entre grupos que defenderiam somente a saúde e outros, somente a economia e o mercado.

"Criar uma polarização, imaginando que de um lado estão as pessoas e do outro lado o dinheiro, pode ser um erro grave na avaliação do problema trazido pela Covid-19. Uma situação de competição pode gerar grande ineficiência na capacidade de interpretar a evolução da situação e na capacidade de ajustar o sistema de saúde e o dia a dia das pessoas adequadamente", diz um trecho do artigo.

Em outros textos Teich também defendeu o isolamento, mas não criticou os posicionamentos do presidente Bolsonaro. O novo ministro também já defendeu a ideia de testagem em massa para descobrir o panorama real do coronavírus no país.

Ele também atuou como consultor durante a campanha eleitoral de Bolsonaro e tem bom trânsito entre os militares.

"Gradativamente temos que abrir o mercado", diz Bolsonaro

Em pronunciamento na tarde desta quinta, Bolsonaro disse que conversou com o novo ministro e pediu a flexibilização de medidas de restrição adotadas no país.

- Gradativamente temos que abrir o mercado no Brasil. Essa grande massa de humildes não tem como ficar presa dentro de casa. O governo não tem como manter esse auxílio emergencial ou outras ações por muito tempo. Tem que começar a ser flexibilizado, para que não venhamos a sofrer mais com isso - afirmou.

O novo ministro, no pronunciamento, voltou a criticar a visão polarizada sobre o assunto.

- Essas coisas não competem entre si, são complementares - sinalizou.

* Com informações da Folhapress

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