O cardeal italiano Giovanni Angelo Becciu, de 76 anos, tornou-se uma das figuras mais controversas da Igreja Católica nos últimos anos. Condenado em dezembro de 2023 a cinco anos e meio de prisão por fraude, abuso de poder e desvio de fundos, Becciu protagoniza agora um novo embate ao desafiar a ordem do Papa Francisco que o impede de participar do próximo conclave.​

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Quem é Angelo Becciu?

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Ascensão e queda no Vaticano

Nascido na Sardenha em 1948, Angelo Becciu teve uma longa carreira diplomática na Santa Sé. Entre 2011 e 2018, ocupou o cargo de substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado, tornando-se um dos homens mais poderosos do Vaticano e colaborador próximo do Papa Francisco. Em 2018, foi nomeado cardeal e assumiu a liderança da Congregação para as Causas dos Santos.

Em setembro de 2020, Francisco aceitou sua renúncia após denúncias de má gestão financeira, incluindo a compra de um edifício de luxo em Londres com recursos do Óbolo de São Pedro, fundo destinado à caridade. Becciu também foi acusado de transferir grandes somas para entidades ligadas à sua família, como uma cooperativa administrada por seu irmão na Sardenha.

Condenação histórica

Em um julgamento histórico que durou dois anos e meio, Becciu tornou-se o primeiro cardeal a ser condenado pelo tribunal penal do Vaticano. Além da pena de prisão, foi multado em € 8.000 e declarado inelegível para cargos públicos. O escândalo revelou perdas de até € 166 milhões para os cofres da Santa Sé, resultado de investimentos arriscados e desvios de fundos destinados aos pobres.

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Apesar da condenação, Becciu continua a afirmar sua inocência e recorreu da sentença. Em uma carta enviada ao Colégio dos Cardeais em abril de 2024, comparou sua situação à de Jesus, dizendo-se vítima de uma condenação injusta.

Disputa sobre o direito ao conclave

A atual controvérsia gira em torno da participação de Becciu no próximo conclave, que escolherá o sucessor do Papa Francisco. Embora tenha sido destituído de suas funções e prerrogativas cardenalícias em 2020, Becciu argumenta que não houve um ato formal que o excluísse do Colégio dos Cardeais. Ele se apresentou na primeira assembleia do conclave, alegando ter direito a votar, o que gerou tensão entre os cardeais.

A decisão final sobre sua participação caberá ao decano do Colégio dos Cardeais, Giovanni Battista Re. O caso de Becciu destaca as divisões internas na Igreja e os desafios enfrentados pelo Papa Francisco em sua tentativa de reformar a Cúria Romana e promover maior transparência nas finanças vaticanas.​

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Enquanto isso, o futuro de Becciu permanece incerto, com sua presença no conclave representando um teste para as reformas e a autoridade papal em tempos de crise.

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