Um manifestante de 26 anos, identificado como Erfan Soltani e preso durante a onda de protestos no Irã, será executado nesta quarta-feira (14). A execução deve ser a primeira desde o início dos atos contra o regime teocrático no país, segundo a Organização Hengaw para os Direitos Humanos.

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A família de Erfan afirmou que foi informada sobre a execução, mas não recebeu informações sobre o julgamento nem sobre quais são as acusações contra o jovem. Ele foi preso na última quinta-feira depois de participar de protestos na cidade de Fardis, próxima à capital Teerã.

A pena máxima é aplicada no país por meio do enforcamento. O Irã é o segundo país do mundo com mais execuções, ficando atrás apenas da China, de acordo com entidades de direitos humanos. Em 2025, foram pelo menos mil execuções, segundo a organização Anistia Internacional.

— Nunca testemunhamos um caso avançar tão rapidamente — afirmou Awyar Shekhi, da Organização Hengaw para os Direitos Humanos, à rede britânica BBC. — O governo está usando todas as táticas que conhece para suprimir as pessoas e espalhar medo.

A ONG de direitos humanos Hengaw denunciou ainda que Erfan Soltani não teve acesso a um advogado e foi privado de garantias fundamentais do processo legal. A família dele terá apenas uma última visita antes da execução.

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Como está o Irã em meio à onda de protestos

Um apagão da internet, imposto pelas autoridades na última quinta-feira (8), dificulta que se tenha noção da real situação do Irã no momento. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, estimou ao menos 600 mortos, porém disse que esse número poderia ser maior, chegando a 6 mil vítimas.

Os atos têm se intensificado no país desde o final de dezembro e se espalharam por mais de 100 cidades em todas as províncias do Irã. Imagens que circulam nas redes, mesmo com o bloqueio da internet, mostram incêndios, corpos enfileirados e centenas de pessoas nas ruas.

Especialistas apontam uso de força letal

Especialistas nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU têm pressionado o Irã para que o país não utilize força letal contra os manifestantes. As instituições têm apontado “claras violações” do Direito Internacional dos Direitos Humanos.

“O uso de força letal contra manifestantes pacíficos, prisões arbitrárias – inclusive de crianças – e ataques a instalações médicas representam claras violações do direito internacional dos direitos humanos”, afirmaram os especialistas, de acordo com um comunicado de imprensa do Procedimento Especial do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

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Trump anunciou tarifas para países que negociarem com o Irã

*Com informações de CNN Brasil, Folha de S. Paulo e O Globo