O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, consolidou sua estratégia para a renovação da cúpula do Banco Central ao indicar o economista Tiago Cavalcanti para integrar a diretoria da autarquia. O nome, que integra um pacote de indicações junto a Guilherme Mello (Política Econômica), aguarda o envio oficial por parte da Presidência da República para o início do rito de sabatina no Senado Federal.
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Trajetória global e currículo acadêmico
Apesar de ser um rosto novo para grande parte do público, o economista pernambucano é reconhecido pelo seu currículo de peso no meio universitário internacional. Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e com doutorado pela Universidade de Illinois — onde foi multipremiado por suas pesquisas —, Cavalcanti construiu carreira no Reino Unido. Como membro da Trinity College, ele da aula sobre economia e desenvolvimento, com foco em como funcionam os bancos e o mercado de crédito. No Brasil, ele atua como professor convidado na FGV, em São Paulo.
Decisão sobre juros e inflação
Se aprovado pelos senadores, Cavalcanti terá um assento no Comitê de Política Monetária (Copom) com mandato até o fim de 2029. Na prática, ele será um dos responsáveis por votar na definição da taxa Selic e no controle da inflação no país. Além das aulas, o economista já tem familiaridade com o mercado brasileiro. Ele é colunista do jornal Valor Econômico, onde escreve sobre a competição entre bancos e o acesso ao crédito — temas que devem ser o foco de sua gestão nas diretorias de Organização do Sistema Financeiro e Resolução.
O desafio: do mundo dos livros para a prática do mercado
Um dos pontos que deve atrair atenção durante a sabatina no Senado é como Tiago Cavalcanti sairá do ambiente das universidades para o “dia a dia” das decisões sobre o dinheiro no Brasil. Aliados de Haddad defendem que sua vasta pesquisa sobre o funcionamento dos bancos compensa o fato de ele nunca ter trabalhado diretamente em bancos privados ou corretoras. A expectativa é que ele use o rigor da ciência para embasar votos que busquem equilibrar o controle da inflação com o crescimento dos empréstimos e financiamentos, mantendo a estabilidade que o setor produtivo e o mercado exigem.
A “regra de ouro” da economia
Em 2023, Cavalcanti foi um dos debatedores do painel Desafios Sociais e Fiscais. Em entrevista publicada no canal do YouTube do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE), ele falou sobre a “regra de ouro” da economia. Assista ao vídeo:
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*Com edição de Luiz Daudt Junior.

