A inteligência artificial já não é apenas uma tendência e passou a integrar a rotina das empresas de todo mundo. Dados do relatório Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, indicam que 78% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função do negócio, enquanto 59% da força de trabalho global precisará passar por requalificação até 2030.
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Em um cenário cada vez mais dominado pelo trabalho humano aliado ao artificial, o domínio de ferramentas de IA passou a ser tratado como uma nova forma de alfabetização profissional. Assim como ocorreu com a informática básica nas décadas anteriores, a familiaridade com ferramentas digitais e a capacidade de utilizá-las no dia a dia passam a influenciar diretamente a empregabilidade e o desenvolvimento de carreira.
Profissionais de diferentes setores já incorporam a tecnologia em atividades cotidianas, seja para automatizar processos, analisar informações ou aumentar a produtividade. Andrelise Bittencourt é profissional de recursos humanos no SENAI Santa Catarina, e segundo ela, a habilidade já é uma das mais importantes nos processos seletivos.
— A IA está se tornando uma competência essencial, só que em uma velocidade muito grande. Hoje, quem não tem pelo menos uma familiaridade com ferramentas digitais e com IA pode acabar tendo mais dificuldade de acompanhar o ritmo do mercado — afirma.
Segundo ela, a presença da inteligência artificial também começa a aparecer nos processos seletivos, ainda que de forma gradual. A profissional comenta, ainda, que o mercado valoriza cada vez mais candidatos que demonstram familiaridade com o tema e capacidade de aplicar a tecnologia na prática.
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— Mais do que saber IA, as empresas buscam pessoas que consigam resolver problemas com mais agilidade, automatizar tarefas e tomar decisões melhores com apoio da tecnologia — explica.
Uso prático aliado ao pensamento crítico
Apesar do avanço da tecnologia, o foco das empresas tem se concentrado em habilidades práticas e comportamentais relacionadas ao uso da IA. Andrelise explica que, na rotina, os profissionais que conseguem manter o senso crítico e a capacidade analítica de sobressaem, já que esse perfil é essencial para contornar os possíveis erros da tecnologia
— O mercado tem valorizado muito mais habilidades como saber usar ferramentas de IA no dia a dia, ter pensamento crítico, não sair acreditando em tudo que a IA responde, saber escrever bons comandos, os prompts, conseguir analisar e interpretar informações e se adaptar rápido a novas ferramentas — detalha Andrelise Bittencourt, profissional de RH do SENAI/SC.
Esse conjunto de competências demonstra que o aprendizado necessário para atuar nas empresas não se restringe ao uso básico de plataformas. Entender limites, riscos e aplicações práticas da tecnologia é diferencial relevante, mesmo em áreas não técnicas ou relacionadas com a inovação tecnológica.
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Planejamento de aprendizado ganha importância
Com a grande quantidade de informações disponíveis, outro desafio passa a ser a organização do aprendizado. Por isso, trilhas estruturadas de formação têm ganhado destaque para orientar profissionais que querem se qualificar nas novas tecnologias.
— Quando o profissional tem um plano de aprendizado, isso mostra intenção, organização e visão de futuro. No RH, isso pesa, porque mostra que a pessoa não está só consumindo conteúdo solto, mas realmente se desenvolvendo — explica a profissional de RH.
A percepção é compartilhada por lideranças de mercado de outros setores, inclusive nas áreas que envolvem criatividade. Para Ana Ciacci, head de Marketing da FIESC, o aprendizado em IA está diretamente ligado à capacidade de adaptação.
— Hoje eu valorizo bastante essa habilidade nos processos seletivos. Não necessariamente no sentido de exigir que a pessoa seja especialista em inteligência artificial, mas de observar curiosidade, adaptabilidade e disposição para aprender — conta Ana.
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No marketing, o impacto é ainda mais evidente, devido à necessidade de velocidade e personalização. Para quem deseja começar, Ana recomenda priorizar a prática e o entendimento da lógica por trás das ferramentas.
— Antes de sair testando dezenas de plataformas, o profissional de marketing precisa entender como usar a IA para resolver problemas simples do dia a dia — explica a especialista.
Capacitação busca organizar aprendizado em IA
Para capacitar os profissionais, programas estruturados de formação surgem como alternativa para organizar o processo de aprendizagem. Um dos exemplos é a trilha IA na Prática, que integra o programa SCTEC, iniciativa do Governo de Santa Catarina executada pelo SENAI/SC. O projeto oferece cursos gratuitos nas áreas de tecnologia, dados e inteligência artificial.
Para participar, basta ter mais de 14 anos e ser residente de Santa Catarina. A capacitação conta com 54 horas de conteúdo, em formato 100% online e assíncrono, para que os participantes avancem no próprio ritmo. Ao todo, são 4 cursos e 4 aulas bônus que abordam desde fundamentos da inteligência artificial até aplicações práticas em áreas como marketing, vendas, recursos humanos e educação.
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A estrutura da trilha é dividida em etapas progressivas, que incluem introdução aos conceitos, desenvolvimento de habilidades práticas e aprofundamento em aplicações específicas.

