Um médico e uma advogada foram presos preventivamente nesta terça-feira (5) por suspeita de envolvimento em uma fraude de atestados para tirar presos da cadeia de Itajaí. Além deles, outras duas pessoas também foram alvos de mandados de prisão por possível participação no esquema. Trata-se da secretária do médico e de um homem que saiu de trás das grades graças ao golpe.

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O médico foi identificado como Marcelo Marques Costa, gastroenterologista, e a advogada como Amanda Letícia Moraes Cunha. Os dois atuam em Camboriú. Os advogados de defesa de ambos reiteram que aguardam ter acesso integral ao processo para se manifestar, mas defendem a inocência dos clientes. Durante o cumprimento das ordens de prisão, o médico atirou no pé de um policial.

Além das prisões, outros 37 mandados de busca e apreensão foram cumpridos ao longo do dia pelo Gaeco na Operação Efeito Colateral. Os agentes estiveram em endereços ligados aos investigados nas cidades de Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Barra Velha, Gaspar, Navegantes, Joinville, Itapema e Porto Belo, em Santa Catarina, e Pinhais e Pontal do Paraná, no estado do Paraná.

Mais de R$ 100 mil em espécie, três armas de fogo, 64 munições, 18 aparelhos celulares, aparelhos eletrônicos e diversos documentos foram recolhidos pela polícia e serão analisados na investigação.  

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Como funcionava o esquema com médico e advogada

A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, indica que a advogada Amanda Letícia Moraes Cunha atuava em conluio com o médico Marcelo Marques Costa, para que fossem emitidos atestados médicos ideologicamente falsos, simulando doenças graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar. 

Também são alvos da Operação Efeito Colateral indivíduos que receberam os benefícios de prisão domiciliar e estão, atualmente, foragidos por justamente terem infringido as regras impostas pela Justiça.

As análises de evidências pelo Gaeco identificaram diversos arquivos contendo imagens de atestados médicos, exames e receituários, além de tratativas entre os investigados, cujo teor indica ajustes para a elaboração de diagnósticos médicos que acabariam sendo utilizados em processos judiciais para afastamento de apenados do sistema penitenciário.

As apurações do Gaeco identificaram que os presos beneficiados pelo esquema investigado, na maioria, são lideranças criminosas que, uma vez em prisão domiciliar, rompem frequentemente a tornozeleira eletrônica e tornam-se foragidos, o que evidencia a potencial gravidade das condutas investigadas. 

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