Os moradores do bairro Ratones e órgãos ambientais de Florianópolis estão mobilizados no mapeamento e captura da rã-touro (Aquarana catesbeiana), uma espécie exótica invasora que emite um som parecido com um mugido de boi que pode transmitir o fungo da quitridiomicose e o ranavírus para anfíbios e peixes. A rã tem alta capacidade de se reproduzir e, até o momento, já foram capturados 11 anfíbios da espécie.
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Apesar de não ser considerada perigosa para humanos e animais, a Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) faz um alerta. Em caso de avistamento ou identificação do som da espécie, a população não deve realizar o manejo por conta própria.
Por isso, é necessário que a pessoa entre em contato pelo órgão pelo e-mail fdepuc.floram@gmail.com ou pelo número (48) 3237-5660. A operação está sendo conduzida em apoio à Universidade Federal de Santa Catarina, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Veja fotos da rã-touro
Rã foi trazida para o Brasil na década de 1930
A Aquarana catesbeiana foi trazida ao Brasil em 1935, com origem na América do Norte, para a criação em ranários e o comércio de carne. A rã-touro, no entanto, foi alvo de solturas e escapes após a desativação desses locais, migrando para diferentes regiões do Brasil, como Florianópolis.
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Essa espécie tem alta capacidade de se reproduzir, com uma dieta que inclui peixes, anfíbios, répteis e mamíferos de pequeno porte. Segundo o presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, o trabalho de monitoramento tem como objetivo detectar a rã-touro de forma precoce para que as equipes possam agir rapidamente.
— Quando uma espécie exótica é identificada logo no início, é possível compreender melhor a situação, mapear sua ocorrência e tomar decisões fundamentadas, em parceria com as demais instituições e com a comunidade — destacou.
Rã-touro consegue produzir som característico
Essa espécie possui um som característico que faz com a população possa identificá-la. Com uma vocalização grave, a rã-touro produz um som semelhante ao mugir de um boi, que dá origem ao nome popular do animal.
Por isso, se os moradores identificarem o som, devem acionar a Floram para que a espécie possa ser mapeada. O primeiro registro oficial da rã-touro em Florianópolis foi confirmado em outubro de 2025, em uma propriedade no bairro Ratones. Desde então, a presença da espécie foi confirmada em três propriedades e relatos de moradores indicam que ela pode estar há mais tempo no bairro.
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Conforme a educadora ambiental da Floram, Maria Aparecida Cabral de Sá, serão realizadas atividades de educação ambiental para incentivar a conscientização sobre o acionamento dos órgãos ambientais pelos moradores.
— Isso vai nos ajudar a mapear melhor as rãs e agir com precisão […] Para apoiar as atividades educativas, está em andamento uma campanha de arrecadação de rolinhos de papel higiênico, que serão utilizados nas oficinas de educação ambiental. As doações podem ser entregues no Parque Ecológico do Córrego Grande — afirmou.
A espécie está listada como Categoria 1 na Resolução CONSEMA nº 272/2025, que reúne a lista oficial de espécies da fauna exótica invasora em Santa Catarina, classificação que orienta o manejo da espécie no estado. Ao todo, já foram capturados 11 espécimes, sendo 10 em novembro de 2025, e um em março de 2026. Os animais capturados foram encaminhados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para análises, incluindo testagem para ranavírus e quitridiomicose.
Os riscos e danos causados pela rã-touro
A rã-touro compete com espécies nativas por recursos naturais como o alimento. É um predador voraz e se alimenta de outros sapos, cobras, aves e até pequenos mamíferos. O canto grave pode atrapalhar também a reprodução das outras espécies de anfíbios nativos.
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O fungo quitrídio causa a quitridiomicose quando se instala na pele dos anfíbios e interfere nas trocas gasosas feitas pelo órgão, podendo levar a paradas cardíacas, seguidas de óbito do animal. O patógeno já dizimou populações de ao menos 501 espécies de anfíbios no mundo.





