nsc
    dc

    Economia

    Reajuste do IRPF alivia contribuintes mas não cobre defasagem, diz Sindifisco

    Pelos cálculos do sindicato, a defasagem acumulada desde 1996 chegará ao final deste ano em 84,13%

    02/05/2016 - 12h28 - Atualizada em: 02/05/2016 - 12h34

    Compartilhe

    Por Redação NSC

    O presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional), Claudio Damasceno, avaliou nesta segunda-feira que o reajuste de 5% da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) anunciado pelo governo dá pequeno alívio tributário aos contribuintes, mas está longe de cobrir a defasagem em relação à correção da inflação.

    Pelos cálculos do Sindifisco, a defasagem acumulada desde 1996 chegará ao final deste ano em 84,13%. Ao final de 2017, as projeções do sindicato indicam uma defasagem de 85,74%.

    Leia mais:

    Governo sobe para 1,1% IOF para compra de dólar em espécie

    Mercado financeiro projeta menos inflação e queda maior do PIB

    Demissões de chefes de família quase dobram em um ano na Grande POA

    Se essa defasagem tivesse sido corrigida, estariam isentos do pagamento do IRPF as pessoas que ganham até R$ 3.505,80.

    — Esses contribuintes não estariam pagando o imposto. Esse é o lado mais perverso da defasagem — criticou o dirigente sindical. Ele destacou que a tabela não terá influência em relação ao pagamento do imposto este ano e só entrará em vigor a partir de janeiro de 2017, com ajuste a ser feito na declaração do IRPF de 2018.

    "O reajuste de 5% sequer vai reverter a tendência de aumento da defasagem, mas não deixa de ser um alívio notadamente para aquelas pessoas que estão com grande endividamento", afirmou ele.

    Alíquota

    O presidente do Sindifisco Nacional avaliou ainda que é preciso ter cautela com as propostas de criação de uma nova alíquota do IRPF para atingir rendas mais altas. "Tenho visto com preocupação a criação de novas alíquotas. Pode não trazer o efeito que o governo espera", afirmou.

    Na sua avaliação, a medida pode penalizar os contribuintes que já suportam a carga mais elevada e não atingir de fato os profissionais liberais e acionistas de grandes empresas que pagam menos imposto. Ele defendeu o fim da isenção da tributação de lucros de dividendos distribuídos a sócios e acionistas de empresas. Outra medida sugerida pelo Sindifisco é o fim da isenção sobre remessa de lucro ao exterior.

    Colunistas