Conhecido pela concentração de mansões e imóveis de luxo, o bairro de Jurerê, em Florianópolis, teve sua formação urbana ligada a um projeto com atuação de Oscar Niemeyer, considerado o maior arquiteto do Brasil. Ele participou da proposta do loteamento Praia do Forte, que marcou o início da urbanização da região, em 1957. Grande parte de suas ideias, porém, não foi executada.

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Niemeyer foi consultor técnico do projeto, em contrato de colaboração com a Imobiliária Jurerê, que era propriedade do ex-governador Aderbal Ramos da Silva. O trabalho consistiu na consultoria para as diretrizes básicas do loteamento, com sugestões para o desenho urbanístico.

— Do ponto de vista urbanístico, o desenho do loteamento tinha alguns aspectos diferentes do que era Florianópolis na época. A tentativa de separar a circulação dos pedestres dos veículos, as ruas perpendiculares ao mar, as alamedas exclusivas para caminhar, a valorização de elementos ambientais, que lembravam em alguns aspectos a formação de Brasília — relata o professor Samuel Steiner dos Santos, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

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Veja fotos de mansões e de Jurerê Internacional

Quais as ideias perdidas de Niemeyer em Jurerê

Algumas diretrizes repassadas por Niemeyer foram perdidas já na inserção do projeto. A planta aprovada converteu quatro das alamedas que seriam exclusivas para pedestres em ruas para veículos. O projeto original, portanto, foi descaracterizado.

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— Existia a previsão de alguns equipamentos, como o hotel internacional e clube social, mas que ficaram só no papel, sem execução. Os blocos residenciais que tinham sido projetados apenas uma parte foi efetivamente construída — afirma Samuel.

O professor relata que, na época, se ventilava a ideia de que a área de Jurerê era um território vazio e seria uma nova urbanização, mas, na verdade, “já viviam uma série de famílias de pescadores, com terras comunais e gerações ali”.

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Ao longo das décadas, parte das alamedas previstas no projeto de Niemeyer foi alterada e o acesso linear até a praia deixou de existir.

— Na década de 80, um novo projeto nasceu quase como uma ilha de prosperidade, mais exclusiva e elitizada. Havia bloqueio de acesso à orla, dificuldade de acesso com transporte público. O projeto original tinha preocupação ambiental, de desenho urbano e integração das vias. Hoje, isso contrasta muito fortemente com o padrão de ocupação — observa o professor.

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Houve algum projeto de Niemeyer colocado em prática em Jurerê?

O Restaurante Catetinho foi o principal legado construído da proposta urbanística de Niemeyer.  O apelido surgiu devido a semelhança com a construção em Brasília que foi a primeira casa oficial da presidência.

— Tinha fachada em vidro, voltado para o mar, com uma planta livre no pavimento superior. Os relatos mostram que ele foi demolido na década de 90, no que eu acredito que foi uma perda irreparável do ponto de vista do patrimônio modernista catarinense — pontua o professor.

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