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    Remoto e pronto para combater a nova onda do coronavírus

    À medida que o coronavírus se espalha para além das grandes cidades e regiões costeiras, áreas com menos recursos médicos precisarão de estratégias que funcionem para elas

    30/05/2020 - 08h00

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    Por The New York Times
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    *Por Wudan Yan

    Em meados de março, a esposa do dr. Jim Bristow apresentou problemas gastrointestinais. Em seguida, não parava de tossir.

    Seus sintomas apontavam para o coronavírus, mas ela não conseguia ser testada – em parte por causa da escassez de testes em todo o país, mas também porque o casal morava em Vashon, uma cidade idílica localizada em uma ilha no estuário Puget Sound, no estado de Washington, que conta com poucos recursos médicos. Quando o dr. Anthony Fauci, da força-tarefa do coronavírus do presidente Donald Trump, disse que os Estados Unidos estavam errando em relação aos testes, Bristow comentou: "Aquilo realmente me tocou."

    Bristow se sentiu inspirado a colaborar com outros membros da comunidade de Vashon com o objetivo de desenvolver um modelo para testar, rastrear e isolar – em essência, um plano de resposta ao coronavírus que eles chamam de Teste Rural & Ferramentas de Rastreamento. Bristow, um cardiologista aposentado que recebeu treinamento no início da epidemia de aids, acredita agora que o modelo deles pode ser replicado ou servir como guia para outras partes isoladas dos EUA, incluindo comunidades rurais e indígenas, enquanto os surtos continuam sendo enfrentados.

    À medida que o coronavírus se espalha para além das grandes cidades e regiões costeiras – e ao mesmo tempo que os estados começam a relaxar as ordens de isolamento social –, áreas com menos recursos médicos precisarão de estratégias que funcionem para elas.

    "Apesar de as áreas rurais normalmente terem poucos recursos e serem desfavorecidas em relação ao acesso à saúde e ao atendimento médico, um modelo como esse mostra que elas podem ser particularmente ágeis e flexíveis", afirmou Carrie Henning-Smith, vice-diretora do Centro de Pesquisa em Saúde Rural da Universidade de Minnesota.

    Embora a Ilha Vashon faça parte do Condado de King – que inclui Seattle, o primeiro epicentro do surto de coronavírus nos EUA –, ela não é incorporada, ou seja, é governada pelo condado e gere seus próprios assuntos.

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    "Estamos a uma hora e meia do pronto-socorro mais próximo, não temos instalações de tratamento intensivo na ilha e nosso sistema de ambulâncias pode facilmente ficar sobrecarregado. Os desafios que enfrentamos são enfrentados por muitas outras comunidades rurais", resumiu o dr. John Osborn, que trabalha como médico em um pronto-socorro em Seattle e também lidera o Corpo Médico de Reserva de Vashon.

    Após as frustrações iniciais de Bristow, ele finalmente entrou em contato com Osborn e com o corpo de reserva. Eles criaram um plano para uma equipe de resposta ao coronavírus na ilha. Outros 70 voluntários insulares se juntaram ao corpo para ajudar – muitos deles são idosos e têm maior risco de morrer ou contrair doenças graves se forem expostos. "Temos uma força-tarefa voluntária que simplesmente não pode se expor", disse Bristow, que também é ex-vice-diretor do Instituto Conjunto de Genoma do Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia.

    O dr. Zach Miller, o morador de Vashon que montou o departamento de doenças infecciosas do sistema regional de saúde sem fins lucrativos Group Health (que agora faz parte da Kaiser), rapidamente percebeu que o cotonete nasal poderia substituir o cotonete nasofaríngeo padrão, contornando a necessidade de equipamentos de proteção individual mais abrangentes, como protetores faciais e máscaras N95. "Isso pode permitir que o modelo seja replicado em outros lugares com grupos de voluntários bem treinados", observou Miller.

    Desde sete de abril, um edifício histórico no centro de Vashon foi transformado em um local de testes para o coronavírus. Por algumas horas todos os dias, os voluntários montam tendas e mesas do lado de fora e usam máscaras e luvas médicas para ajudar a realizar os testes de coronavírus nos moradores. Eles vão até lá de carro e usam seus veículos como uma sala de espera pessoal. Mas, em vez de um médico treinado inserir um cotonete no nariz, cada paciente recebe um kit de um voluntário, para o carro e pega o cotonete.

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    Até agora, esse formato de teste já atendeu cerca de 60 indivíduos, mas nenhum testou positivo. (Vashon teve outros quatro casos de coronavírus que foram relatados ao Departamento de Saúde de Washington.) A esposa de Bristow nunca foi testada e se recuperou da infecção desde então. A ilha não registrou outro caso em mais de duas semanas.

    Caso alguém teste positivo, voluntários foram treinados para rastrear e identificar as pessoas que estiveram em contato com a pessoa infectada. "Não é tão complicado, e com a supervisão certa é possível treinar basicamente qualquer pessoa para fazê-lo", explicou Bristow. Além disso, ter alguém dentro da comunidade fazendo o rastreamento e ligando para as outras pessoas pode ser vantajoso porque existe uma confiança mais inerente.

    O sucesso do método Vashon se baseou em seu Corpo Médico de Reservas, uma equipe regional de preparação para emergências criada pelo governo federal após os ataques de onze de setembro. Antes da chegada do coronavírus à costa oeste, o corpo de Vashon estava mais preocupado em se preparar para um grande terremoto que deverá atingir o noroeste do Pacífico. Osborn acredita que os 829 Corpos Médicos de Reservas existentes em todo o país possam ser um alicerce para testes e rastreamentos eficazes em outras comunidades rurais.

    Atualmente, Bristow e Osborn estão levando seu modelo para nações indígenas no Puget Sound e na bacia do Rio Columbia, onde Osborn já trabalhara na proteção de rios e de salmões. Assim como Vashon, muitas dessas comunidades são relativamente remotas. "Realmente, recebemos bem essa ideia", disse Fawn Sharp, presidente da nação indígena Quinault, localizada em Taholah, no estado de Washington.

    A reserva fica a aproximadamente 45 minutos de carro da sala de emergência mais próxima e possui uma ambulância para cerca de 3.500 pessoas. "Se o coronavírus chegar aqui, seremos atingidos com força, por isso tomaremos todas as precauções que pudermos", afirmou M'Liss DeWald, chefe de planejamento da equipe de comando de incidentes do coronavírus da nação Quinault.

    DeWald diz que ela e outras pessoas da comunidade têm muitos dos ingredientes para implementar o modelo Vashon – com voluntários dispostos e um local físico para realizar os testes. No início, porém, eles tiveram dificuldades para conseguir comprar os kits de teste.

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    A implementação do modelo dependeria em grande parte de recursos financeiros para comprar kits de teste e certos equipamentos de proteção, como máscaras e luvas cirúrgicas, disse Henning-Smith. Bristow sugere que as equipes de resposta ao coronavírus façam parceria com clínicas que têm acesso a esses equipamentos. Na tribo Lower Elwha Klallam, na Península Olímpica de Washington, os trabalhadores da saúde conseguiram reaproveitar muitos de seus suprimentos já existentes para realizar os testes do coronavírus, comentou Brenda Powell, diretora de serviços de saúde da tribo.

    O transporte também pode ser um problema em algumas comunidades rurais. "Como fazer um drive-thru se as pessoas não têm carros?", indagou a dra. Jasmeet Bains, ao se referir a um dos maiores desafios para o modelo. Como médica de medicina familiar em Taft, na Califórnia, ela atende principalmente imigrantes não autorizados e sem seguro que caminham até sua clínica.

    Para Miller, o modelo Vashon é muito flexível. Os kits de teste caseiros podem ser entregues em domicílio e retirados mais tarde. Os gargalos da cadeia de abastecimento que as comunidades rurais enfrentam hoje podem mudar amanhã. "Se as comunidades forem realizar os testes, elas precisam se adaptar", disse Bristow. Ele planeja manter o site do modelo Vashon atualizado e espera que ele "possa ser um centro de informações claras nesse cenário em rápida transformação".

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