O projeto Incult, da Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) de Joinville, venceu a primeira edição do Join.In, um programa de intraempreendedorismo para gestão pública da cidade do Norte catarinense. O prêmio foi entregue durante o Pitch Day, realizado nesta terça-feira (14) no Ágora Tech Park.
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Projeto vencedor busca museus acessíveis
O Incult foi pensado após um olhar cuidadoso às áreas culturais de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina. Durante o desenvolvimento, a equipe responsável constatou que existem cerca de 15 mil pessoas com deficiência visual no município, mas apenas 30 visitam os museus anualmente.
— E a gente descobriu que esse número é tão baixo não porque eles não querem visitar, não têm interesse em saber da nossa cultura, da nossa história. Mas é porque falta acessibilidade para esse público específico — explica a coordenadora da Secult, Tatieli Boegershausen.
Esse número chamou atenção da equipe tanto na parte cultural quanto econômica. Com falta de inclusão, Joinville deixa de arrecadar R$ 197 mil, somente em Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS), por não atender esse público.
Com os números em mente, a equipe da Secult entrou em contato com a Associação Joinvilense para Integração dos Deficientes Visuais (Ajidevi) para entender os obstáculos enfrentados pela comunidade. A parceria deu início ao Incult, uma ideia inspirada em projetos realizados em museus renomados, como a Pinacoteca, em São Paulo.
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O projeto apresentado no Pich Day prevê a criação de réplicas em 3D para que as pessoas com deficiência visual possam conhecer pontos turísticos e obras de arte por meio do toque.
— A nossa proposta é a impressão em 3D dos monumentos culturais de Joinville junto com a audiodescrição. O nosso MVP (projeto de validão) será o prédio do Museu de Imigração com a audiodescrição. O conjunto dos dois juntos é a nossa solução — revela Tatieli.

O projeto também terá parcerias com a Secretaria de Educação e com o FabLab do Ágora Tech Park, para colocar em prática as réplicas táteis em 3D. Com a implementação do Incult, a equipe prevê que a visitação do público alvo a museus da cidade cresça aproximadamente 90% em apenas um ano.
— A gente ficou bem feliz mesmo [em ser reconhecidos no Join.In]. Eu acho que isso contribui para que realmente a gente tire o projeto do papel — afirma Tatieli.
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Projetos reconhecidos buscam melhorias na saúde e meio ambiente
Ao todo, 11 projetos de diversas secretarias municipais foram apresentados no Pitch Day do Join.In. O objetivo é que as novas ideias fossem validadas com base em evidências para que, posteriormente, sejam implementadas, otimizando os processos para promover mais qualidade no serviço prestado à população.
Os cases foram avaliados por uma banca com três profissionais, da própria prefeitura, do Sebrae e do Ágora Tech Park. Três cases foram escolhidos como os melhores do evento, mas os jurados afirmaram que todos têm grande potencial e devem causar um impacto positivo na sociedade.
— É a primeira vez que a gente traz para a prefeitura a formação de servidores num programa inédito de intraempreendedorismo. A gente está buscando tornar o nosso servidor mais atento, mais esperto para a inovação e, com isso, chegar lá na ponta trazendo melhores serviços para os cidadãos — afirma o diretor de Inovação Pública de Joinville, Leo Diniz Treulieb Santos.
O projeto classificado em segundo lugar, intitulado “SUScesso”, tem como foco a otimização de processos na rede pública de saúde, especialmente no agendamento de consultas e exames. A iniciativa projeta uma economia mensal de R$ 200 mil ao eliminar o retrabalho que existe em alguns processos atualmente. Já o terceiro lugar foi concedido à equipe da Secretaria de Meio Ambiente (Sama).
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Conforme o diretor de Inovação Pública, as equipes dos 11 projetos darão continuidade aos projetos por meio de incubação, criação de laboratórios e conexão entre as secretarias municipais.
— Para que a gente realize essas melhorias e isso chegue lá na ponta, que todas as melhorias apresentadas sejam tão oportunos para os cidadãos quanto para os servidores públicos que operacionalizam isso todo dia — afirma.










