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Relato

Repórter da NSC conta experiência de racismo durante semana de protestos antirracistas pelo mundo

"Nem sempre a gente percebe na hora o preconceito, seja porque já normalizamos ou ignoramos", relata repórter Jorge Jr

14/06/2020 - 08h28 - Atualizada em: 14/06/2020 - 08h39

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Jorge
Por Jorge Jr.
Mural nas ruas da Itália com a frase "só porque sou preto" (Foto: Miguel Medina / AFP)
Mural nas ruas da Itália com a frase "só porque sou preto" (Foto: Miguel Medina / AFP)
(Foto: )

Na edição impressa do Diário Catarinense desta semana o tema principal foi o racismo e todos os protesto que estão ocorrendo ao redor do mundo. Convidamos o jornalista do NSC Total, Jorge Jr., para falar sobre o assunto.

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O relato é pessoal, aconteceu no dia 1º de junho e só percebi depois. Nem sempre a gente percebe na hora o preconceito, seja porque já normalizamos ou ignoramos. Terça-feira de madrugada, assisti no Twitter um vídeo do rapper Emicida contando sobre ir à farmácia e, ao colocar a máscara antes de sair do carro, perceber que ele era a partir dali um negro, de roupa preta, cabelo black e mascarado. Ou seja, ele deixaria de ser o Emicida e se tornaria um suspeito de um possível roubo na loja.

Voltemos para Florianópolis, perto das 22h, horário que a farmácia fecha. Precisei sair para comprar fralda e mucilon para a minha filha. Estava frio. Peguei o meu moletom com capuz, a máscara e fui. Estava realmente frio e entrei com o capuz na cabeça. Assim que me viu, a atendente deu dois passos para trás e chamou um colega, que veio rápido. Só aí ela se dirigiu a mim e perguntou o que eu queria. Dei boa noite e disse que iria comprar coisas para a minha filha. Eram todos brancos e sou cliente da farmácia, vou sempre lá.

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Na hora de pagar tirei o cartão do convênio da NSC e, quase como um passe de mágica, o clima ficou mais leve. Percebi tudo isso na hora e achei normal. Como disse antes, a gente também normaliza o racismo. A pergunta é: se fosse um branco entrando de capuz? O tratamento seria igual? Eu sei a resposta.

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