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Restauradores encontram altar de 1853 na igrejinha da UFSC, em Florianópolis

Obra realizada na Igreja da Santíssima Trindade, na Capital, revelou espaço atrás de parede 

15/01/2019 - 06h35 - Atualizada em: 15/01/2019 - 08h31

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Por Rafael Thomé
Espaço religioso tem cerca de 10 metros quadrados
(Foto: )

Um achado histórico que remonta ao século XIX e conta um pouco da tradição arquitetônica e religiosa de Florianópolis. Assim pode ser classificado o altar encontrado atrás de uma parede da Igreja da Santíssima Trindade, a famosa igrejinha da UFSC, durante as obras de restauração do local.

Na última sexta-feira, quando os profissionais que trabalham na reforma perceberam que um pedaço da parede estava cedendo, entrou em cena a restauradora doutora em arquitetura e urbanismo Marcia Regina Escorteganha. Contratada via edital para recuperar o mural pintado pelo artista plástico Hassis Corrêa (1926-2001), Marcia logo percebeu que aquele pedaço da parede podia guardar um resquício da história catarinense.

— Quando começaram a abrir (a parede), a gente achou que tinha uma porta. Quando tiraram um tijolo, botamos o celular pra dentro e vimos que tinha um buraco. Lá, tinha um antigo altar e os restos de um papel de parede que tinha sido colado na época — conta a restauradora.

Datado de 1853 — ano de fundação da igreja — e com cerca de 10 metros quadrados, o altar não guarda mais imagens religiosas. Há apenas o espaço vazio e a parede pintada de azul claro. O papel de parede deteriorado, por enquanto, é o novo quebra-cabeças de Marcia. Aos poucos, ela está remontando-o para transformá-lo em um pequeno painel que deverá ser exposto no local ao lado de uma placa informativa.

Relíquias arquitetônicas

piso pintado à mão
Ladrilho pintado à mão
(Foto: )

Contemporânea dos espaços religiosos mais históricos de Florianópolis, como a Catedral Metropolitana ou a Igreja Nossa Senhora da Lapa, no Ribeirão da Ilha, a igrejinha guarda, ainda, outras relíquias arquitetônicas, como um piso de ladrilho pintado à mão. Lá, também é possível perceber a antiga técnica de construção chamada “cabeça de pedra” – pedras grandes empilhadas com ajuda de argamassa de cal e outras pedras pequenas para completar os buracos. Essa cal, inclusive, foi feita em Florianópolis e tem, até, pequenas conchas inteiras que ficaram encrustadas na parede.

— A igrejinha tem peso histórico. Representa a história do bairro (Trindade), da cidade e das famílias. É a identidade das pessoas que nasceram e viveram aqui — comenta o cineasta Zeca Pires, coordenador do Departamento Artístico Cultural da UFSC, responsável pelo espaço.

Foco é restaurar um mural de 40 anos

obra hassis na igrejinha da Ufsc
Painel Humanidade, de Hassis
(Foto: )

O principal foco da restauração na igrejinha da Universidade Federal de Santa Catarina é o mural Humanidade, do renomado artista plástico Hiedy de Assis Corrêa, o Hassis. Considerado profano por setores da Igreja Católica, o mural representa o capítulo 6 do Apocalipse e tem 160 metros quadrados de tamanho. Para a restauração da obra, Marcia Escorteganha faz questão de mexer o mínimo possível.

— A pintura tem 40 anos e nunca foi restaurada. Está com problemas seríssimos, principalmente muitas manchas e buracos. Vamos colocando massinha na parede para renivelar e, aí, pintamos só o local com a massinha. O resto permanece com a pintura original do Hassis, apenas com um trabalho de limpeza. Eu respeito o artista, eu só preencho as lacunas — explica Marcia.

trabalho minucioso é feito por Marcia
Trabalho minucioso é feito por Marcia
(Foto: )

O trabalho de reforma e restauração começou em novembro de 2018 e a previsão de entrega é em setembro deste ano. A verba veio de emenda parlamentar da Câmara de Deputados e contempla R$ 158 mil para restauração e R$ 192 mil para reforma.

Prédio virou um centro cultural

Desde meados da década de 1970, a igreja passou a incorporar o patrimônio da UFSC. Nas últimas décadas, tem servido como sede do Departamento Artístico Cultural e funciona como auditório de música para ensaios e apresentações de coral, madrigal e orquestra de câmara, além da realização de cursos, oficinas, seminários, palestras e apresentações de peças de teatro.

— (Quando a reforma estiver pronta), a ideia é dinamizar esse espaço retomando essas atividades e abrindo mais para visitações, até por conta desse caráter histórico — encerra Zeca Pires.

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