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Rinha de galo é interrompida pela polícia em Pomerode

Havia dez animais no local, alguns deles já feridos

04/09/2021 - 06h49 - Atualizada em: 04/09/2021 - 06h52

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Bianca
Por Bianca Bertoli
Foto feita em 2019 em São Bento do Sul, em outro flagrante da PM
Foto feita em 2019 em São Bento do Sul, em outro flagrante da PM
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Uma rinha de galo foi flagrada pela Polícia Militar na noite desta sexta-feira (3), em Pomerode, no Vale do Itajaí. O combate ilegal ocorria em uma propriedade no Centro da cidade, com público de oito pessoas. Todas tiveram os nomes registrados no boletim de ocorrência.

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Os dez animais estavam machucados. No local havia toda a estrutura para o duelo ilegal: ringue, bancos para os espectadores, balança e cronômetro. Os policiais chegaram ao lugar por volta das 20h através de denúncias.

O proprietário, de 30 anos, estava no evento. A Polícia Militar tentou resgatar as aves, mas alegou que uma falha na comunicação com a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), que recolheria os galos, impediu a apreensão. Assim, eles ficaram com o dono.

O homem e os outros sete foram liberados após o registro do boletim de ocorrência.

Como funcionam as rinhas

As rinhas de galo consistem em duelos ilegais promovidos por criadores de animais de espécies combatentes. Ocorrem clandestinamente em arenas montadas em propriedades particulares, costumam movimentar apostas e estar associadas a maus-tratos aos animais, como criação em espaços pequenos, uso de biqueiras, batoques, e objetos que aumentam os ferimentos entre as aves durante as brigas.

Os confrontos em geral ocorrem em três rounds de 15 minutos. Um galo pode perder se for nocauteado ou também se deixar de combater.

A prática se enquadra como crime ambiental com base em uma lei nacional de 1998, que prevê pena de reclusão de três meses a um ano em casos de maus-tratos a animais. Também fere o Código Estadual de Proteção aos Animais, que em maio deste ano teve aumento de multa para até R$ 20 mil em caso de rinhas.

A prática de rinha tem registros de 1.400 a.C. na Índia e teria ganhado força na Europa supostamente para estimular o espírito de combate de guerreiros. No Brasil, chegou pelas mãos dos colonizadores e atualmente costuma ser feita com galos de variedades como Índio Brasileiro, que são bastante territorialistas e têm diferenças em relação às aves criadas para corte e produção de ovos.

É comum o cruzamento de animais vencedores de rinhas e seus descendentes em busca de linhagens ainda mais combatentes e agressivas.

Defensores da prática sustentam que o combate faria parte da natureza do animal e ocorreria desde os primeiros meses de vida da espécie. Também alegam que os animais são valiosos e seriam bem tratados pelos criadores no dia a dia.

O argumento é rebatido por críticos que alegam que os animais são submetidos a maus-tratos em treinamentos e nas rinhas. A veterinária especializada em aves, Cláudia Niemeyer, conta que na maioria dos casos os galos combatentes são mantidos em baias pequenas e até sujas, justamente para estressar o animal.

– É difícil ter um criador consciente porque normalmente quanto mais estressado for o bicho, melhor ele é para brigar. O confinamento é uma das coisas que causam estresse, e por mais que os bichos valham bastante, eles querem mantê-lo estressado. Isso vai contra o bem-estar animal e contra a lei – afirma.

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