A proposta de fim da escala 6×1 (via PEC de autoria da deputada Erika Hilton, PSOL-SP) surgiu de mobilizações nas redes sociais e se consolidou como projeto formal no Congresso, buscando reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais. O avanço da medida, no entanto, acende um alerta no mercado sobre o risco oculto de uma pressão inflacionária imediata, com potencial de elevar os preços ao consumidor final.

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Cabe ao colegiado analisar a admissibilidade da matéria (PEC 8/25), etapa inicial para que o tema avance na Casa.

Produtividade em xeque

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), liderada por Paulo Solmucci, é um dos setores mais vocais na oposição à medida. A entidade destaca impactos em serviços como bares, restaurantes e turismo, onde a escala 6×1 é a base para o atendimento de demanda contínua ao público.

Em entrevista ao portal UOL, Solmucci alerta que a mudança pode encarecer o consumo final entre 7% e 8% — reflexo de uma alta estimada em 20% nos custos laborais. O executivo indaga se a população estaria disposta a pagar preços mais elevados para viabilizar a redução da jornada de trabalho.

Contrariando parte do pessimismo empresarial, experiências como as do Grupo Savegnago (rede de supermercados) com escalas 5×2 mostram resultados mistos. Os testes apontam melhor retenção em algumas unidades para enfrentar a escassez de mão de obra, mas registram custos iniciais mais altos e ausência de ganhos de produtividade considerados “drásticos”. Estudos setoriais indicam que o equilíbrio entre eficiência operacional e folha de pagamento exige uma gestão cuidadosa, desafiando visões extremas sobre o tema.

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O rito legislativo e o futuro da jornada de trabalho

No campo político, a transição para um novo modelo de jornada depende de um rito legislativo rigoroso, por exigir alteração na Constituição Federal.

  • No Senado: a proposta (PEC 148/2015) avançou na CCJ e segue para o Plenário, onde necessita do apoio de 49 senadores em dois turnos de votação.
  • Na Câmara: a PEC 8/2025 aguarda a designação de um relator na CCJ para análise de admissibilidade. Caso aprovada, o rito prevê a criação de uma Comissão Especial antes da votação final no Plenário, que exige o voto favorável de pelo menos 308 deputados, também em dois turnos.

Entre o custo e o bem-estar: os desafios da mudança na jornada de trabalho

*Com edição de Luiz Daudt Junior.