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    Rita Maria, Madre Benvenuta e Antonieta de Barros: quem são as mulheres dos locais de Florianópolis

    Três espaços possuem funções diferentes no urbanismo da cidade, mas possuem algo em comum: simbolizam a força da mulher na história de Santa Catarina

    06/03/2020 - 13h06

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    Por Carolina Marasco
    Terminal Rodoviário Rita Maria, avenida Madre Benvenuta e Túnel Antonieta de Barros
    Terminal Rodoviário Rita Maria, avenida Madre Benvenuta e Túnel Antonieta de Barros
    (Foto: )

    Seja em Florianópolis ou em outra cidade do país, os nomes de mulheres são utilizados em prédios, ruas, avenidas e outros locais. Mas, será que você sabe a história por trás dos personagens? Ou então, entende a importância destas mulheres no espaço público? Para marcar o Dia da Mulher, saiba mais sobre três obras importantes em Florianópolis e veja a opinião de especialistas sobre a relevância de figuras femininas nomearem as obras.

    O Terminal Rodoviário Rita Maria, a avenida Madre Benvenuta e o Túnel Antonieta de Barros são os locais escolhidos em Florianópolis. Os três espaços possuem funções diferentes no urbanismo da cidade, mas possuem algo em comum: simbolizam a força da mulher na história de Santa Catarina através das construções.

    De acordo com Cristina Scheibe Wolff, professora de história da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o nome de mulheres em espaços públicos vai além da homenagem e representa uma das formas de buscar a mudança dos estereótipos destinados às ocupações femininas. — Isso valoriza o movimento de mulheres que luta por uma participação maior de mulheres no espaço público. É uma forma de reconhecimento das mulheres como sujeitos da história, as quais impulsionaram transformações e fatos importantes — argumentou a especialista.

    Além de docente da UFSC, Cristina é membro do Laboratório de Estudos de Gênero e História da instituição. O grupo busca justamente refletir sobre o papel das mulheres na história e na sociedade, buscando enfrentar o machismo ainda presente nos dias atuais. Por isso, a especialista considera importante a divulgação destes personagens na escola e na literatura, por exemplo.

    — A gente tem feito toda uma discussão de como a falta das mulheres nos currículos escolares, de como a falta dos estudos de gênero, ajuda para que as pessoas pensem que o lugar das mulheres seria um lugar secundário, de submissão. Considero que é muito importante que estes personagens estejam na escola, na mídia, para quebrar essa imagem da mulher em um papel secundário — analisou a pesquisadora.

    Conheça a história

    Rita Maria

    Um dos primeiros locais que quem passa por Florianópolis conhece é o Terminal Rodoviário Rita Maria. O nome foi dado para marcar a história de Rita Maria, negra e filha de escravos que morava nos arredores do Forte de Santana. Segundo a história popular, ela ficou bastante conhecida entre o fim do século XIX e começo XXpelo conhecimento de ervas medicinas e realização de benzeduras.

    No terminal, uma escultura de ferro foi instalada para lembrar a mulher que dá nome ao local. Feita por Paulo de Siqueira (1949 – 1996), a obra mostra Rita Maria com uma das mãos recebendo os poderes curativos do universo e a outra apontando para quem recebia a benzedura.

    O projeto do local é considerado inovador por arquitetos em todo o mundo. Almir Francisco Reis, professor da UFSC e doutor em Urbanismo, destaca a forma como os materiais foram aplicados. — A forma em que os materiais foram aplicados, o concreto foi deixado à vista, não tem reboco, é um ponto em destaque. Todas as instalações são mostradas. Isso dá uma identidade arquitetônica muito forte — disse sobre o projeto.

    Madre Benvenuta

    Quem circula pelas ruas de Florianópolis, tem grandes chances de já ter cruzado a avenida Madre Benvenuta. Mas, pouca gente sabe quem era a Madre que dá nome ao local. Segundo os registros históricos da formação de Florianópolis, até 1957, a avenida era chamada de Rua da Gruta, justamente por uma gruta de Nossa Senhora de Lurdes que estava no local.

    Quem administrava o espaço era a Sociedade Divina Providência. Então, a organização - que também possuía um convento no local – adquiriu um terreno na região dando início ao então Jardim Santa Mônica, que nomearia o bairro futuramente. Madre Benvenuta era uma das religiosas responsável pela compra desses espaços. Porém, pouco se sabe sobre a história dela.

    Para o doutor em Urbanismo, Almir Reis, a região é um dos pontos mais estratégicos urbanisticamente da capital. Bares, restaurantes, comércios. Tudo isso caracteriza a região.

    — Não é só um lugar de passagem, ele ainda concentra uma série de atividades. Inclusive, de vivência urbana, de vivência da noite. É um lugar de bastante urbanidade. A Madre Benvenuta está precisando de um projeto urbano no sentido de assumir esse seu caráter plenamente — analisa o especialista.

    Antonieta de Barros

    Uma mulher inspiradora, forte e histórica. É assim que Antonieta de Barros pode ser definida. Mesmo pouco conhecida e quase inexistente nos livros de história, foi uma jornalista, professora e política, de Florianópolis. Foi a primeira negra a assumir um mandato político, como deputada estadual na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, e pioneira no combate à discriminação de negros e de mulheres.

    Filha de ex-escrava, nasceu em 1901 e morrei em 1952, com apenas 50 anos. Sua mãe trabalhava casa do político Vidal Ramos. Além da militância política, Antonieta participou ativamente da vida cultural de seu estado. Fundou e dirigiu o jornal A Semana entre os anos de 1922 e 1927. Neste período, por meio de suas crônicas, veiculava suas ideias, principalmente aquelas ligadas às questões da educação, dos desmandos políticos, da condição feminina e do preconceito.

    O Túnel Antonieta de Barros possui esse nome e parece justamente tentar demonstrar a importância da política pela sua funcionalidade na concepção urbanística da capital. O local é parte do projeto de concepção da região metropolitana de Florianópolis, implantado de 1967 até 1979. O sistema viário e estrutura urbana da Costa Lesta foram o foco do projeto, responsável por tirar do papel a ligação do Sul e Leste com as pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos.

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