Ruas do bairro Barra do Rio, em Itajaí, uma das cidades mais ricas do Sul do Brasil, tornaram-se um verdadeiro ferro-velho a céu aberto ao abrigar há quase quatro anos dezenas de carros apreendidos pela Polícia Civil. A situação começou em junho de 2022, após o fim do convênio com a empresa responsável pelo pátio onde ficavam os automóveis, mas tem piorado com o tempo. Recentemente, a Vigilância Sanitária municipal classificou a situação como “risco sanitário coletivo”, já que muitos veículos acumulam água da chuva, o que favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
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Na Rua Paraguai e vias do entorno, a reportagem da NSC TV contou pelo menos 42 veículos espalhados pelo quarteirão. Moradores relatam que os carros chegam inteiros, mas acabam sendo depredados à luz do dia. Há alguns sem rodas, com portas abertas, vidros quebrados, peças arrancadas e com marcas de incêndio.
Além do problema “estético”, a presença dos automóveis traz mau cheiro, acúmulo de sujeira e ocupa vagas que poderiam ser usadas por quem mora ou trabalha na região. Na região, por exemplo, há comércios, equipamentos de esporte e um parquinho infantil, todos rodeados por carros abandonados.
No mês passado, a Vigilância Sanitária de Itajaí fez uma vistoria e definiu o risco do cenário. Com o alerta, a prefeitura notificou o governo do Estado, pediu providências à Polícia Civil e comunicou o Ministério Público de Santa Catarina.
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O que diz o governo do Estado
Procurado, o governo informou que havia uma decisão judicial determinando a retirada dos veículos, mas ela está suspensa desde que o próprio Estado recorreu. A Justiça deu 90 dias para apresentação de um plano definitivo para resolver a situação, prazo que SC pretende respeitar.
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A prefeitura chegou a oferecer um terreno para abrigar os carros, mas a Polícia Civil considerou a alternativa inviável. Um parecer técnico apontou que o espaço exigiria investimentos superiores a R$ 2 milhões em muro, vigilância, monitoramento e estrutura de segurança, além de efetivo permanente para operação e manutenção.
Prefeitura e Estado têm um único convênio vigente, mas exclusivamente para veículos recolhidos por infrações administrativas — e não para automóveis ligados a inquéritos e investigações. Uma das soluções avaliadas pela Polícia Civil é ampliar essa parceria para incluir carros oriundos de ordens judiciais.
Enquanto a questão não é resolvida, moradores seguem convivendo diariamente com sucatas na frente de casa.







