Superar desafios e realizar o sonho em movimento. É assim que João Padilha, de 24 anos, jogador de basquete em cadeira de rodas, do Cepe Joinville, atingiu o objetivo de ser convocado à Seleção Brasileira para disputar o mundial em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em junho, sendo o primeiro catarinense a conseguir o feito. 

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João foi diagnosticado com câncer aos 9 anos. Aos 11, ele precisou amputar a perna esquerda. No ano seguinte, conheceu o basquete com cadeira de rodas. A partir disso, sua vida é movida pelo esporte.  

— Comecei para brincar, mas passei a ir em competições e vi que era o que eu queria fazer, me dedicando cada vez mais nos treinos — explica.

Depois de vencer a doença, ele celebra as vitórias também dentro de quadra. Ser convocado para a seleção é uma delas. 

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— Tinha expectativa, treinei para isso. Quando saiu a convocação foi uma alegria muito grande. Mas a ficha só vai cair quando estiver em Dubai e a bola subir — comenta. 

João Padilha vai disputar o mundial, em Dubai, pelo Brasil (Foto: Lucas Koehler/A Notícia)

O atleta não esconde a ansiedade e diz que a expectativa está no topo. No último mundial, o Brasil ficou em 15º, penúltimo lugar da competição. Neste ano, porém, com uma nova geração, o objetivo é que o elenco adquira experiência, mas João diz ser possível ficar até entre os cinco melhores, o que seria o melhor resultado na história do país. 

Inspiração para os mais jovens

Ariel Bastos, de 14 anos, também é jogador do Cepe na mesma modalidade. Ele diz que João é uma referência dentro e fora das quadras.

— Olhar e imaginar ser ele, é uma pessoa maravilhosa. Me espelho, quero ser igual  a ele — conta. 

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Para João, é uma responsabilidade ser exemplo para os mais jovens. 

— É legal ver alguém mais novo e olhar pra mim como eu olhava para as minhas referências — cita. 

Ariel diz que teve dificuldades em coordenar a cadeira e a bola no início, mas que treinar no Cepe mudou a sua vida, esquecendo os problemas que estão fora das quadras. 

— Me ajuda em tudo, não se nasce sabendo, pode demorar, mas em três meses aprendi várias coisas bem rápido — exalta. 

Ariel e João projetam a vida acompanhada do basquete para os próximos. Enquanto o mais novo quer jogar até se aposentar, o atleta da seleção fala que a modalidade é uma base para ressocialização. 

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— O futuro é buscar sempre melhorar, se apresentar bem no mundial, seguir na seleção e quem sabe uma chamada para o Parapan-Americanos e Paralimpíadas — crava. 

Conquista de um trabalho coletivo

As conquistas de João no basquete de cadeira de rodas é uma conquista coletiva para o Cepe, avalia a coordenadora técnica da instituição, Ana Teixeira, já que o garoto chegou no centro ainda nas categorias de base e, agora, orgulha a modalidade estadual. 

— Muitas mãos, pessoas, apoio da família e o sonho de um jovem muito determinado. É um orgulho para Santa Catarina. Ele tem sido um motivador para outras crianças e jovens — destaca. 

Ana Teixeira é coordenadora técnica do Cepe Joinville (Foto: Lucas Koehler/A Notícia)

Além da amputação de uma perna, a coordenadora cita que João precisou superar a descrença de outras pessoas, utilizando a técnica em vez da altura. 

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— Ele não é alto. Mas os fundamentos foram bem trabalhados. Ele tem muita técnica, bom arremesso de fora, finalização, drible, intensidade. É a personalidade dele, sabe o quer, nunca teve bola perdida — celebra. 

Ana ainda ressalta que a convocação do atleta  acontece em um momento-chave do esporte paralímpico no Brasil, que está em desenvolvimento de políticas públicas. 

— Ser chamado à seleção faz as pessoas entenderem que antes da deficiência antes a pessoa, o sonho e a realização. Além de abrir portas para outros joinvilenses e catarinenses — finaliza.

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