O sabor singular da erva-mate do Planalto Norte de Santa Catarina rendeu ao produto a Indicação Geográfica (IG) na categoria Denominação de Origem. O selo é dado a itens ou serviços que são característicos do local de origem, o que lhes atribui reputação, valor, e identidade própria, além de dar destaque no mercado. 

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​Gilberto Neppel, engenheiro-agrônomo, extensionista da Gerência Regional da Epagri em Canoinhas e gestor do projeto de certificação da erva-mate do Planalto Norte, explica que a erva da região se difere, principalmente, pelo modo de produção, já que é uma planta nativa, produzida sob a sombra de araucárias e outras árvores da vegetação local. 

Este sombreamento, segundo Neppel, tem papel fundamental durante o inverno, formando uma barreira contra as perdas de radiação e os ventos, por exemplo,
e contribui para a conservação de calor no solo e no ar, e mantendo a umidade necessária aos ervais.Esta área de cultivo é chamada pelos produtores de caíva. 

O agrônomo lembra que, além de preservar um “saber-fazer” de gerações dos povos indígenas, dos caboclos, dos tropeiros e de imigrantes europeus, a produção em área caíva também é mais sustentável, uma vez que há pouca intervenção humana no ambiente. Além disso, o cultivo é feito sem a presença de espécies exóticas e sem o uso de agrotóxicos. 

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O resultado desta combinação é uma erva-mate mais doce e menos amarga quando comparada às amostras das outras regiões. Ela também possui folhas mais verdes, pela maior presença de clorofila e maior teor de cafeína. 

 – Este registro comunica ao mundo que uma certa região se especializou e tem capacidade de produzir um artigo diferenciado e de excelência, que é o caso da nossa erva-mate – destaca Neppel. 

Produção e exportação

Gilberto estima que o Planalto Norte Catarinense produza em média 100 mil toneladas de erva-mate a cada ano, a metade do total catarinense. Na avaliação dele, cerca de 80% deste total é produzido no sistema tradicional, ou seja, sob a sombra da mata. O restante vem de lavouras de monocultura, que não receberão o selo da IG.

O extensionista da Epagri relata que 70% da produção de erva-mate da região é exportada, principalmente para o Uruguai. Chile, Argentina, Paraguai. Até países da Europa também compram o produto do Planalto Norte Catarinense para consumo na forma de chá. 

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Como a região tem uma produção muito acima do que é consumido, o produto ainda chega ao interior de Santa Catarina, ao Rio Grande do Sul e ao Paraná.

Impacto na economia

Na opinião de Gilberto, a concessão da IG tem potencial para impactar positivamente toda a economia da região. Ele espera que a partir do momento em que a erva-mate comece a ser comercializada com selo da IG, ela ganhe valor agregado, resultando em mais renda para os produtores rurais. 

O setor de turismo também deve ser beneficiado, com maior fluxo de pessoas que desejam conhecer o método de cultivo tradicional, trazendo renda para hotéis, bares e restaurantes.

O objetivo agora é colocar em prática as ações que permitirão que os produtores da região que empregam o sistema de cultivo tradicional possam usar o selo da IG em seus produtos. Para tanto, já está sendo elaborada, com apoio da Epagri, uma cartilha que estabelece as práticas agrícolas recomendadas que vão resultar no produto diferenciado. Também será preciso ajustar os métodos de produção das indústrias locais, para que elas se adequem às exigências estabelecidas.

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Paralelamente, serão retomados os contatos com outras regiões que têm produtos que já desfrutam de IG há mais tempo. A ideia é conhecer casos de sucesso e também absorver conhecimento a respeito do que pode ser feito para que o registro traga os resultados mais promissores possíveis para a agricultura e economia locais.

Outras regiões de SC que receberam o selo

mA IG da Erva-mate do Planalto Norte Catarinense se soma às IGs da açã fuji da região de São Joaquim, vinhos de altitude de Santa Catarina e mel de melato da Bracatinga, conquistadas no ano passado. 

A primeira IG do Estado foi a do vinho dos Vales da Uva Goethe, seguida pela banana da região de Corupá e pela Campos de Cima da Serra para queijo serrano. A Epagri teve participação em todos os processos de solicitação das IGs. 

Coube ao órgão, inclusive, produzir a documentação necessária para solicitação do registro, bem como fazer a delimitação geográfica da área de abrangência da IG. Os técnicos da Epagri também fazem eventos com objetivo de informar e sensibilizar a sociedade para a importância da certificação.

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A IG abrange os municípios de Bela Vista do Toldo, Canoinhas, Irineópolis, Mafra, Major Vieira, Matos Costa, Monte Castelo, Papanduva, Porto União, Rio Negrinho, Timbó Grande, Três Barras e parcialmente os municípios de Caçador, Calmon, Campo Alegre, Itaiópolis, Lebon Régis, Santa Cecília, Santa Terezinha e São Bento do Sul. 

*Com informações da Epagri

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