A safra da tainha 2026 está oficialmente aberta em Santa Catarina a partir desta sexta-feira (1º). O período, que segue até julho, é um dos mais aguardados no calendário cultural e econômico do Estado por movimentar a economia pesqueira, o turismo e a gastronomia.

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A safra da tainha representa para muitas famílias o período mais importante do ano, já que garante o sustento e o alimento, movimentando a economia local. A pesca da tainha reflete em uma rede extensa que inclui transportadoras, mercados de peixe e o setor da gastronomia, um dos mais atrativos na Grande Florianópolis.

A pesca também faz parte da identidade cultural de Florianópolis e do litoral catarinense, preservada e passada por gerações. Os pescadores detém conhecimeto sobre as marés, os ventos e os ciclos de reprodução das espécies, e com isso conseguem identificar mudanças e tendências no ecossistema.

Qual a expectativa para a Safra de 2026

O pescador Armando Monteiro, da Parelha do Arante, no Pântano do Sul, em Florianópolis, conta que a preparação para a safra estava nos últimos detalhes nesta quinta-feira (30). A expectativa é que esse seja um ano de muito peixe, já que a tainha tem aparecido em praias mais ao Sul e já foi vista até mesmo na capital, porém, até esta sexta, a pesca ainda não era permitida.

Armando explica que o peixe que aparece primeiro é um peixe menor, “da Quaresma”, e depois vem o peixe da costa do Sul, a tainha maior, aguardada pelos pescadores. Com o tempo colaborando, a previsão é de que seja de um ano muito positivo.

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— A gente depende muito do fenômeno da natureza, que são as frentes frias, os ventos. Para nós aqui a tainha não dá no inverno, a tainha para nós é no outono, que é o mês de maio e junho. O inverno quando entra, a tainha aqui para nós já se acaba. Mas a expectativa é excelente — comenta.

É o mesmo que reforça Laercio Demétrio, coordenador de Pesca e Economia Artesanal da Secretaria do Meio Ambiente de Balneário Camboriú. A cidade, que conta com pesca nas praias agrestes e na Praia Central, se prepara para a safra com a entrega de quadricilos, camisetas com proteção UV e protetor solar para os pescadores.

— As notícias são boas, porque já foram avistado muitos cardume de peixe em muitas praias lá pro sul. É sinal que já temos um peixe navegando aí na costa de Santa Catarina. Ano passado o peixe passou muito distante das nossas praias, então este ano a tendência é ele passar mais perto, aonde os pescadores conseguem capturar e alcançar esse peixe com suas redes — pontua.

Laercio também explica que na cidade foi demarcada uma área onde a navegação náutica de lanchas e jet skis fica permitida, o que deve melhorar a quantidade de peixes capturados na Praia Central. A ancoragem de embarcações também ficará proibido nas praias agrestes. Ainda, um sistema de bandeira foi implementado para sinalizar a liberação para o surf.

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Como foi a safra da pesca da tainha em 2025

Rota da Tainha

Em Florianópolis, a Rota da Tainha conta com 26 praias oficialmente reconhecidas. A rota busca viabilizar ações de valorização cultural da tradição pesqueira. São elas:

  • Armação do Pântano do Sul
  • Barra da Lagoa
  • Caieira da Barra do Sul
  • Caiacanga
  • Campeche
  • Canasvieiras
  • Cachoeira do Bom Jesus
  • Praia da Daniela
  • Praia do Forte
  • Galheta
  • Gravatá
  • Ingleses
  • Joaquina
  • Jurerê
  • Jurerê Internacional
  • Lagoinha do Norte
  • Moçambique
  • Morro das Pedras
  • Naufragados
  • Pântano do Sul
  • Ponta das Canas
  • Praia Brava
  • Prainha da Barra da Lagoa
  • Ribeirão da Ilha
  • Santinho
  • Tapera

No ano passado, Florianópolis contou com 51 embarcações licenciadas de emalhe anilhado, com aproximadamente 500 a 600 pescadores. Segundo o relatório enviado ao governo federal, a produção na capital foi de cerca de 400 toneladas de tainha, o que representa um impacto econômico estimado em R$4 milhões. Já o arrasto de praia mobilizou mais de mil pessoas em 57 ranchos espalhados pela cidade.

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Qual é a cota para a pesca da tainha em 2026

A cota da safra da tainha terá aumento de cerca de 20% em comparação com o ano passado, para todas as modalidades. O limite total de captura da espécie tainha (Mugil liza) é de 8168 toneladas. O número é calculado com base na avaliação de estoque mais recente da espécie, feita em 2025.

O tradicional arrasto de praia, modalidade exclusiva de Santa Catarina, poderá capturar até 1.332 toneladas. Já o emalhe anilhado, também restrito ao litoral catarinense, terá limite de 1.094 toneladas neste ano. Confira abaixo as cotas por modalidade.

Como ficaram as cotas por modalidade

  • Arrasto de praia: 1.332 toneladas; operação limitada ao litoral de Santa Catarina, envolvendo diferentes categorias dessa modalidade.
  • Emalhe anilhado: 1.094 toneladas; atuação restrita ao litoral de Santa Catarina; cada embarcação pode capturar até 15 toneladas, com tolerância extra de até 20%.
  • Emalhe costeiro de superfície: 2.070 toneladas; pesca permitida no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul.
  • Cerco/traineira: 720 toneladas; área de operação no litoral e em águas mais afastadas (ZEE) das regiões Sudeste e Sul do Brasil; cota é distribuída por embarcação.
  • Captura no estuário da Lagoa dos Patos: 2.760 toneladas; pesca realizada no estuário da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul, conforme regras específicas para essa área.

Como será feito o monitoramento

O monitoramento da pesca da tainha em Santa Catarina será realizado através do sistema PesqBrasil. Mapas de bordo, mapas de produção, declarações de entrada e de ova, além do rastreamento por satélite das embarcações devem ser enviados pela plataforma.

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Ainda, a portaria prevê a implantação de rastreador experimental obrigatório para a modalidade de emalhe anilhado.

Durante a safra da tainha, Painel de Monitoramento da Temporada de Pesca da Tainha é atualizado regularmente, o que possibilidade maior transparência no acompanhamento das cotas de captura por modalidade.

Quando a pesca da tainha pode ser encerrada

A legislação determina ainda alguns critérios de encerramento antecipado da pesca da tainha para evitar que as cotas sejam extrapoladas, sendo eles:

Emalhe anilhado: encerramento ao atingir 85% da cota coletiva;

Arrasto de praia: encerramento aos 90% da cota;

Cerco/traineira: encerramento ao atingir 90% da cota individual por embarcação.

Confira a programação da abertura da pesca da Tainha em Florianópolis

01 de maio (sexta-feira)

Praia do Campeche – Rancho de Pesca Sociocultural Getúlio Manoel Inácio
  • 07h15 – Abertura do rancho para a comunidade. Música com Edu Madma.
  • 07h30 – Café comunitário e Abertura das exposições e vivências culturais
  • 09h – Procissão com o Grupo Música do Rancho da Canoa e as bandeiras do divino. Hasteamento das bandeiras com representantes da história da pesca artesanal de SC. Missa na praia
  • 10h30 – Cerimônia de abertura do Centro Cultural e Rancho de Pesca Getúlio Manoel Inácio com Muriel Costa. Benção aos pescadores do litoral catarinense
  • 10h45 – Pescadores e a pesca da tainha: conquistas, desafios e expectativas para a safra 2026
  • 11h15 – Apresentação – As Aventuras de Darci
  • 12h – Premiação da Primeira Volta à Ilha com Canoa Artesanal
  • 13h30 – Apresentação de capoeira – Casa Cultural Canela Preta. Oficina de pesca – Cultura da Pesca Artesanal: compartilhando saberes com Ivanir Faustino. Apresentação – Coletivo Casa das Rendas do Campeche (Cantiga Popular Ilhoa)
  • 14h – Oficina Floram vai à praia
  • 14h30 – Apresentação da Banda de Música do Corpo de Bombeiros de Santa Catarina. Ação de limpeza de praia com voluntários do Instituto Nexxera e comunidade
  • 15h30 – Oficina ambiental – Projeto Tamar
  • 16h45 – Apresentação do Boi de Mamão do Campeche
  • 18h – Encerramento oficial do evento

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Praia do Moçambique – Rancho Parelha Atobá
  • Horário: 14h
  • Celebração
  • Apresentação
  • Café da tarde

Infográfico mostra o processo de pesca artesanal