Ao menos 13 cidades de Santa Catarina vão receber as primeiras doses da vacina contra a dengue. A informação foi confirmada pelo Ministério da Saúde na manhã desta quinta-feira (25). A data em que as doses serão enviadas ao Estado não foi divulgada.

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Para definir os municípios que irão receber a vacina, o governo federal formulou alguns critérios em conjunto com o Conass e Conasems, órgãos representantes de estados e municípios. As primeiras doses chegarão nos municípios de grande porte (mais de 100 mil habitantes) com alta transmissão de dengue, maior número de casos em 2023 e 2024, predominância do sorotipo DENV2 e definição por regiões de saúde, abrangendo todas as regiões do país.

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Ao todo, 521 cidades brasileiras vão receber a vacina em 37 regiões de saúde. Em Santa Catarina, serão 13 municípios, que integram a região de Saúde do Nordeste. São eles: Araquari, Balneário Barra do Sul, Barra Velha, Corupá, Garuva, Guaramirim, Itapoá, Jaraguá do Sul, Joinville, Massaranduba, São Francisco do Sul, São João do Itaperiú e Schroeder.

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O Ministério da Saúde também divulgou outras ações que serão realizadas ao longo do ano para o combate da doença. Entre elas estão o investimento de R$ 30 milhões para liberação de mosquitos Aedes com a bactéria Wolbachia em Joinville, no Norte de Santa Catarina, e outros cinco municípios: Londrina e Foz do Iguaçu, no Paraná; Presidente Prudente, em São Paulo; Uberlândia, em Minas Gerais; e Natal, no Rio Grande do Norte.

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A Wolbachia impede o Aedes aegypti de transmitir o vírus, e funciona como um controle biológico da dengue. A bactéria é transmitida pela reprodução dos insetos, e em pouco tempo a população de Aedes aegypti passa a ter, majoritariamente, a Wolbachia — o que controla a transmissão da dengue.

Crianças e adolescentes são público-alvo

Em 2024, o público-alvo serão crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Essa faixa etária concentra o maior número de hospitalizações por dengue, depois de pessoas idosas, grupo para o qual a vacina não foi liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O Brasil é o primeiro país a oferecer a vacina contra a dengue no sistema público universal. O Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue em dezembro de 2023. A inclusão foi aprovada de forma célere pela Comissão Nacional de Incorporações de Tecnologias no SUS (Conitec).

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A primeira remessa da vacina contra a dengue chegou ao Brasil no sábado (20). Ao todo, são 720 mil doses do imunizante Qdenga, oferecidas pelo laboratório japonês Takeda Pharma, que serão aplicadas pelo SUS.

Composto por quatro sorotipos distintos, o imunizante utiliza a tecnologia de vírus atenuado, em que a vacina traz o vírus da dengue modificado de forma a infectar, mas não causar a doença. No esquema de duas doses com intervalo de 90 dias, a vacina teve eficácia de 80,2% contra dengue, com período de proteção de 12 meses após o recebimento da segunda aplicação.

Por ser feita com vírus enfraquecido, a vacina é contraindicada para gestantes, lactantes, pessoas com algum tipo de imunodeficiência ou sob algum tratamento imunossupressor. Por esse motivo, a Anvisa ainda não aprovou a aplicação em idosos, que poderiam desenvolver a doença por terem imunidade mais baixa.

O Ministério da Saúde receberá, ainda, cerca de 600 mil doses gratuitas da fabricante, totalizando 1,32 milhão. Além disso, o governo comprou 5,2 milhões de doses, que serão gradualmente entregues até novembro.

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As 6,52 milhões de doses representam a capacidade total disponível no laboratório para este ano. Diante da limitação de produção da vacina, pouco mais de 3,2 milhões de pessoas serão vacinadas em 2024, já que o esquema vacinal requer a aplicação de duas doses, com intervalo mínimo de 90 dias entre elas.

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