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     SOCORRO

    Conheça o passo a passo do atendimento às vítimas de violência doméstica nas Dpcamis

    Criar um ambiente acolhedor para que as mulheres denunciem a violência doméstica e de gênero é o desafio do poder público

    25/10/2019 - 05h00 - Atualizada em: 29/07/2020 - 19h39

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    Clarissa
    Por Clarissa Battistella
    O ambiente calmo e colorido dá às boas-vindas para quem chega
    O ambiente calmo e colorido dá às boas-vindas para quem chega
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    Muitas vezes é difícil pedir ajuda. Ainda mais duro é buscar apoio quando se tem marcas deixadas pela violência, sejam elas visíveis ou não. Mas, depois de sofrer uma agressão, imaginar-se entrando em um prédio de tons acinzentados e cheio de desconhecidos, sem saber se vai encontrar o apoio que busca, pode ser sufocante.

    Foi esse conjunto de fatores, somado ao “balde d’água fria” no primeiro pedido de socorro em uma delegacia, que fizeram com que Jandira Mara dos Santos, 46 anos, aguentasse a violência sofrida por mais de 11 anos, até procurar a polícia pela segunda vez.

    Também são essas as razões, muitas vezes, que desencorajam as vítimas de violência doméstica a se dirigirem até uma delegacia, para dar início aos procedimentos legais que vão afastar o agressor do âmago familiar. E, embora não pareça, esse é o passo fundamental para que um ciclo seja encerrado.

    — É um trabalho muito difícil. Temos uma quantidade muito grande de vítimas em Santa Catarina e nem todas as vezes elas confiam no sistema, assim como muitas mulheres não acreditam nelas mesmas — diz a delegada de Polícia Civil, Patrícia Zimmermann.

    A fim de mudar esse padrão de insegurança, alternativas são buscadas pelo Estado, a começar pela instituição que faz o primeiro contato com a vítima. Há aproximadamente dois anos, a 6ª Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso da Capital (Dpcami) também mudou sua cara: agora, tem “aspecto de casa”.

    Pouco antes, Joinville já havia adequado o ambiente onde as mulheres são atendidas. Para Blumenau também há previsão de mudanças: o atendimento deve ser oferecido em um novo prédio, que atenda às necessidades da Polícia Civil. O que se pretende com essas alterações, segundo a coordenadora das Dpcamis, é que as pessoas se sintam acolhidas enquanto estão nos prédios.

    Uma delegacia com aspecto de casa

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    As salas de atendimento tem objetos e frases receptivos e encorajadores
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    O ambiente calmo e colorido dá às boas-vindas para quem chega. Ao cruzar a porta de entrada, acompanhadas de insegurança, as mulheres recebem a primeira orientação da atendente.

    — Temos duas situações: aquela mulher que já vem com a decisão formada: "quero romper o ciclo de violência, fazer o boletim de ocorrência e pedir a medida protetiva de urgência". E tem aquela que ainda está em dúvida, que não sabe o que fazer ou está com medo — diz a delegada Patrícia Zimmermann.

    Convicta sobre o que quer, a vítima será encaminhada para o registro do fato. Indecisa, será orientada a aguardar por uma psicóloga plantonista. Enquanto espera, ainda no hall de entrada, a mulher é convidada à uma reflexão: florescer. Ao lado de outras palavras, o incentivo divide espaço com figuras coloridas, grafitadas nas paredes.

    São 62 profissionais da área para atender as 31 Dpcamis de Santa Catarina.

    É um ambiente mais leve, sem ruído, sem tumulto. A Polícia Civil procura desconstruir aquele padrão de investigação de crime comum. Muitas vezes a delegacia tem mais aspecto de casa, porque está aqui para acolher Patrícia Zimmermann
    Desenhos logo no hal de entrada para tornar o momento da denúncia mais leve
    Desenhos logo no hal de entrada para tornar o momento da denúncia mais leve
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    Assim que o boletim de ocorrência é confeccionado, a vítima passa para outra etapa: é o momento de prestar depoimento, esclarecer os fatos para a polícia e de saber, detalhadamente, quais são os procedimentos do inquérito e as medidas de proteção garantidas por lei.

    — Não é só o preenchimento de um formulário. Muitas vezes essa mulher chora, para, pensa e fica em silêncio. Então a gente precisa ter esse diferencial na sala acolhedora.

    Segundo a delegada, essa é a etapa mais importante, “realizada por uma agente feminina, preferencialmente, que só trabalha com os depoimentos e as medidas protetivas”. Essa profissional é capacitada para o atendimento preferencial e, por natureza, uma pessoa mais tranquila.

    — Não posso tomar esse depoimento de qualquer forma, porque se trabalha com a narrativa da vítima e não pode pressioná-la — completa.

    Se a mulher tiver filhos, pode optar em deixar as crianças na sala ao lado, aos olhos da recepcionista, onde há uma área com brinquedos. Se optar em mantê-los junto, a sala também conta com alguns brinquedos, assim como a sala de atendimento psicológico.

    Depois de aproximadamente 40 minutos, a mulher é encaminhada para um abrigo, até o momento em que a Justiça determina o afastamento do agressor, ou volta para casa – se o acusado não residir no mesmo endereço. As crianças também são encaminhadas para a casa de acolhimento, junto com a mãe.

    O melhor amparo

    Delegado Gustavo Kremer,da 6ª DP
    Delegado Gustavo Kremer,da 6ª DP
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    Há dois anos na 6ª DP, o delegado Gustavo Kremer é um dos profissionais que coordena as investigações contra os agressores, que muitas vezes acabam presos. Segundo ele, a Dpcami é o melhor local para se procurar amparo no Estado:

    Aqui se encontra receptividade, amparo e bom atendimento, porque queremos que a vítima retorne quantas vezes for necessário, até que o ciclo de violência seja definitivamente rompido Gustavo Kremer

    Confira imagens da Dpcami da Capital

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