A discussão sobre a flexibilização das jornadas de trabalho, impulsionada pelo home office e pelas plataformas digitais, esbarra no pragmatismo financeiro dos profissionais brasileiros. Um levantamento nacional da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que os critérios tradicionais de contratação continuam sendo os mais determinantes no mercado.

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Ao projetar o futuro profissional para os próximos cinco anos, os trabalhadores colocaram o salário e a segurança do vínculo empregatício no topo das prioridades, deixando em segundo plano os benefícios de autonomia de horários ou modelos híbridos.

Entenda a escala 6×1

Finanças e estabilidade lideram a escolha profissional

Os dados da pesquisa apontam que o rendimento financeiro direto é o principal fator de escolha para 28,7% dos entrevistados. Logo em seguida aparece a estabilidade na vaga, apontada por 22,4% dos participantes, acompanhada pelo desejo de crescimento e promoção interna, com 20,1%.

Esses interesses superam com folga as novas modalidades de trabalho. A flexibilidade de horários recebeu 19,3% das menções, o home office isolado somou 15,9% da preferência, e as propostas de jornada reduzida ficaram na última posição do ranking, com apenas 9,8% de apelo.

A análise técnica dos especialistas da CNI comprova que a proteção oferecida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) funciona como o principal porto seguro do mercado. Segundo a especialista em Políticas e Indústria da entidade, Claudia Perdigão, o trabalhador valoriza a estabilidade, mesmo em um cenário em que a liberdade de rotina é usada pelas empresas para atrair talentos:

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“Apesar de novas modalidades de trabalho estarem crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social, que continuam, portanto, sendo um diferencial relevante mesmo em um contexto de maior flexibilização”, destaca.

O profissional brasileiro associa o regime de carteira assinada à previsibilidade orçamentária necessária para enfrentar o custo de vida a médio e longo prazo, reduzindo o espaço para a migração rumo a modelos mais voláteis.

Carteira assinada atrai a nova geração de profissionais

A busca pelo emprego formal também se destaca entre as faixas etárias mais novas, alcançando 41,4% dos brasileiros de 25 a 34 anos que estavam ocupados e procuraram trabalho no período da pesquisa.

As vagas com carteira assinada foram consideradas mais interessantes por 38,1% das pessoas entre 16 e 24 anos. Em ambos os recortes, o interesse pelo emprego formal superou a média geral de 36,3%. De acordo com Claudia Perdigão, o emprego formal traz a segurança que os jovens procuram para obter estabilidade no início da trajetória profissional.

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Incerteza no futuro atinge quase metade da população ativa

Embora a estabilidade seja um desejo comum, o mapeamento revelou um abismo em relação ao planejamento de longo prazo. A pesquisa identificou que 43% dos brasileiros não sabem detalhar em qual ocupação ou cargo estarão inseridos em um horizonte de cinco anos, indicador que reflete a insegurança gerada por reestruturações econômicas e avanços tecnológicos.

Entre a parcela que planeja construir uma trajetória independente fora do regime corporativo, 13,9% manifestam a intenção de abrir o próprio negócio. As ambições estão concentradas em ramos tradicionais da economia, como o comércio varejista e setores de serviços locais, incluindo bares, restaurantes e salões de beleza.

*Com edição de Nicoly Souza