Santa Catarina registrou, em 2025, a maior taxa de doadores de órgãos do Brasil, com 42,8 doadores por milhão de população (pmp). Os dados são do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), divulgados na última quarta-feira (6). A média nacional foi de 20,3 pmp, menos da metade do índice catarinense.

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Ao longo do ano, Santa Catarina contabilizou 804 notificações de potenciais doadores, das quais 350 se transformaram em doações efetivas. Entre os destaques, estão as doações de córnea, rim e fígado.

O perfil dos doadores catarinenses em 2025 foi composto majoritariamente por homens, com idades entre 35 e 64 anos, e óbitos causados principalmente por acidente vascular cerebral (AVC) e traumatismo cranioencefálico (TCE).

A demanda por órgãos permanece alta. Em dezembro de 2025, 1.291 pacientes adultos e e 17 pediátricos estavam na lista de espera por um órgão em Santa Catarina, principalmente por rim e córnea. No mesmo ano, 73 adultos morreram enquanto aguardavam transplante, a maioria na fila renal.

Transplantes realizados em 2025

  • Rim: 345 transplantes
    • 332 com doador falecido
    • 13 com doador vivo

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  • Fígado: 137 transplantess
  • Coração: 8
  • Pâncreas: 22 (incluindo transplantes combinados pâncreas/rim)
  • Córnea: 700
  • Recusa familiar segue como principal obstáculo

    Entre os principais entraves para ampliar a doação está a recusa familiar, que ocorreu em 32% das entrevistas realizadas com parentes de potenciais doadores. O percentual é inferior à média nacional, de 45%, segundo dados da ABTO.

    A entrevista familiar é considerada uma das etapas mais sensíveis do processo de doação. Para qualificar essa abordagem, Santa Catarina realiza, em média, dez Cursos de Comunicação em Situações Críticas por ano. Até 2025, 3.082 profissionais de saúde foram capacitados.

    — Cada vez mais, famílias que enfrentam o momento mais difícil de suas vidas, que é a perda de um ente querido, têm autorizado a doação de órgãos e tecidos. Mesmo diante do luto, muitas optam por transformar a dor em um gesto de generosidade — afirma o coordenador do SC Transplantes, Joel de Andrade.

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    Como funciona o transplante de órgãos no Brasil

    O acesso ao transplante de órgãos, tecidos ou medula óssea no Brasil ocorre por meio do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Para ingressar na lista de espera, o paciente deve ser encaminhado a um estabelecimento de saúde habilitado, onde passa por avaliação de uma equipe médica especializada e realiza os exames necessários.

    Confirmada a indicação para o transplante, a equipe responsável efetua a inscrição do paciente no sistema, registrando também as características do doador compatível com o seu perfil clínico. A lista de espera por transplantes é dinâmica e varia de acordo com a condição clínica dos pacientes e a disponibilidade de doadores compatíveis. 

    Todas as pessoas podem doar órgãos e tecidos. Não é necessário deixar nada por escrito, basta comunicar sua família sobre o desejo da doação, pois ela só acontece após autorização familiar.