Entre janeiro e agosto de 2025, Santa Catarina contabilizou 4.780 nascimentos de bebês filhos de mães com idades entre 15 e 19 anos, segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), do Ministério da Saúde, compilados pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). No mesmo período de 2024, haviam sido 4.880 registros no Estado.

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De acordo com relatório publicado em 2018 pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), a gravidez na adolescência considera mulheres de 15 a 19 anos.

No cenário nacional, a análise dos dados também apontam para números altos nesta faixa-etária. Entre janeiro e agosto de 2025, o Brasil registrou 168.713 nascimentos de filhos de mães de 15 a 19 anos. No mesmo intervalo de 2024, foram 179.428 — e, ao final daquele ano, o total chegou a 261.206 nascimentos nessa faixa etária.

Riscos à saúde e impactos sociais

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a gestação na adolescência está associada a maior risco de complicações para a mãe, o feto e o recém-nascido, além de potencializar vulnerabilidades sociais já existentes.

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A pediatra e membro da ONA, Mariana Grigoletto, explica que, entre adolescentes, há maior risco de mortalidade materna. Para o bebê, aumentam as chances de anomalias congênitas, complicações no parto, asfixia e paralisia cerebral.

Segundo a médica, a gravidez precoce também está relacionada a intercorrências clínicas como aborto, diabetes gestacional, parto prematuro e depressão pós-parto.

— Além dos impactos à saúde, a gravidez na adolescência pode comprometer a trajetória educacional das jovens, favorecendo a interrupção dos estudos e dificultando a inserção no mercado de trabalho, com reflexos diretos nas condições sociais e econômicas dessas famílias — destaca.

Outros fatores frequentemente associados incluem a ausência ou interrupção da amamentação, a falta de corresponsabilização do pai biológico, a escassez de rede de apoio, o uso de álcool e outras drogas e situações de violência intrafamiliar.

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Saúde mental e direito ao atendimento

A maternidade na adolescência também pode afetar a autoestima e o bem-estar emocional das jovens mães, de acordo com a médica. Sentimentos como insegurança, medo e ansiedade são comuns nesse período.

A especialista lembra que o Sistema Único de Saúde (SUS) garante assistência psicológica às mulheres antes, durante e após o parto, conforme previsto em lei. O acompanhamento pode ser indicado já no pré-natal, mediante avaliação do profissional de saúde, para que ocorra de forma adequada às necessidades de cada paciente.

Informação, sigilo e prevenção

O debate sobre saúde sexual na adolescência passa por informação qualificada, acolhimento e respeito aos direitos dos jovens. O atendimento individual ao adolescente é permitido e recomendado, segundo a especialista, desde que não represente risco à sua vida, preservando o sigilo profissional e favorecendo um ambiente seguro para esclarecer dúvidas.

Outro ponto destacado é a responsabilidade compartilhada na prevenção da gravidez e das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Embora as consequências recaiam majoritariamente sobre as meninas, especialistas defendem que os meninos também sejam incluídos na discussão.

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Entre as estratégias indicadas está a chamada dupla proteção: o uso simultâneo do preservativo (masculino ou feminino) e de um método contraceptivo reversível de longa duração (LARC), como o DIU hormonal, o DIU de cobre ou os implantes subdérmicos. Esses métodos apresentam alta eficácia, não exigem uso diário e podem durar de três a dez anos, com retorno da fertilidade após a retirada.