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Santa Catarina tem 10 armas registradas por dia em 2019

Estado concentra a quarta maior procura do país por autorização de posse desde o início do ano

14/05/2019 - 06h18

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Por Roelton Maciel
Armas
Só Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram armamentos registrados em maior escala
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Santa Catarina é o quarto Estado do país que mais registrou armas de fogo em posse de pessoas físicas desde o começo do ano. A Polícia Federal deu autorização para 879 catarinenses entre janeiro e março, o que representa uma média de 10 armas novas por dia. Só Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul tiveram armamentos registrados em maior escala. Dados de abril ainda serão atualizados.

O período analisado coincide com a vigência do decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL), assinado em janeiro e que facilitou os critérios para a posse de armas no país. Na semana passada, um novo decreto presidencial ampliou a autorização do porte de arma para um conjunto de profissões, como advogados, caminhoneiros e políticos eleitos.

Considerando o total de registros, Santa Catarina tem ainda mais destaque no cenário nacional: é o terceiro Estado do país com maior número de armas em posse de pessoas físicas — 34,6 mil. Desde 2016, as autorizações de posse concedidas pela Polícia Federal a cidadãos catarinenses passam de 3 mil ao ano.

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que os números de Santa Catarina podem ser explicados, em parte, pela influência da colonização europeia, que tem nas armas e clubes de tiro um forte traço cultural. Coronel aposentado do Exército e consultor em segurança pública, Eugênio Moretzsohn destaca que o Estado também tem um histórico recente de conflitos armados.

— Essa "cultura bélica" sempre esteve presente na história do povo catarinense, de muitas refregas ao longo de sua existência, em um passado não tão distante assim — destaca.

Por um lado, Moretzsohn entende que o elevado número de registros em Santa Catarina tem um viés positivo, pois indica que a população tem procurado os meios legais para obter a posse. Mas, por outro, o especialista vê com preocupação o aumento de armas nas mãos de pessoas sem treinamento e capacitação necessários.

— Haverá elevação do número de acidentes, principalmente envolvendo crianças, crimes passionais, feminicídio, furto ou roubo de armas em casa e outras mazelas que seriam menores se o número de armas também fosse — alerta.

Perfil conservador tem peso na procura

Além das raízes culturais, a condição econômica de Santa Catarina e o perfil conservador de parte da população também estão por trás da demanda por armas no Estado. É o que aponta o professor do curso de direito da Univali e mestre em ciência jurídica, Juliano Keller do Valle. Ele destaca que a defesa à propriedade, ao patrimônio e à família são bandeiras comuns no discurso pela regulamentação das armas. Santa Catarina, observa o especialista, foi o Estado com maior percentual de votos em favor do presidente Jair Bolsonaro (PSL), notório apoiador da causa armamentista.

Embora as estatísticas nos últimos dois anos apontem para a redução da criminalidade em SC, o professor lembra que, em anos anteriores, o Estado teve recordes negativos em crimes de homicídio.

— Nos anos anteriores, houve um aumento significativo destas taxas e outros crimes relacionados. São dados que demonstram o interesse do catarinense em se socorrer com o que a lei, hoje, flexibilizou ainda mais, a posse de arma. Tudo isto contribui para a manutenção deste interesse pelo armamento — analisa.

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