Os catarinenses que trabalham em aplicativos de serviços têm uma jornada menor, mas ganham mais do que a média nacional desse grupo. Em Santa Catarina, a jornada média semanal é de 42,9 horas, enquanto, no Brasil todo, esse número é de 46 horas. Já o rendimento mensal é de R$ 3.194, quase 21% acima da média nacional que é de R$ 2.645. O valor é o quinto maior entre os Estados do Brasil.

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O estado catarinense tem 33 mil pessoas trabalhando em aplicativos de serviços — grupo que inclui motoristas, entregadores de comida e prestadores de trabalhos gerais. Em todo o Brasil, o contingente chega a 1,5 milhão.

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Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e fazem parte do módulo inédito Teletrabalho e Trabalho por Meio de Plataformas Digitais, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). A pesquisa avaliou o último trimestre de 2022.

A pesquisa também apontou que mais 45 mil catarinenses trabalham em plataformas de comércio eletrônico, que inclui aplicativos de varejo, por meio das quais vendedores individuais podem vender mercadorias, como os marketplaces.  

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Trabalhadores de app em SC trabalham menos e recebem mais, aponta pesquisa do IBGE
Brasil tem 1,5 milhão de pessoas que trabalham por meio de plataformas digitais e aplicativos de serviços, número que representa 1,7% da população ocupada no setor privado (Imagem: IBGE, Divulgação)

De acordo com o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativo de Santa Catarina, Allan Puga, a principal reivindicação do grupo atualmente é por mais ganhos. Eles participam de negociações em nível nacional para regulamentar a profissão:

— A gente está trabalhando num texto para beneficiar o motorista e protegê-lo, a fim de reduzir o custo para manter a margem de lucro, tendo em vista que a atividade tem uma demanda grande de manutenção e custo elevado — explica.

Perfil nacional

Avaliando dados de todo o Brasil, a pesquisa do IBGE traçou o perfil dos trabalhadores de aplicativos. A maioria são homens, entre 25 a 39 anos, e com ensino médio completo ou superior incompleto.

Do total de 1,5 milhão de trabalhadores, 47,2% (704 mil) atua por meio de aplicativos de transporte de passageiros e 39,5% (589 mil) de entrega de comida e produtos. O contingente representa 1,7% da população ocupada no setor privado.

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Comparando à média salarial das pessoas que trabalham sem utilizar plataformas, esses trabalhadores ganham mais: uma média de R$ 2.645, em relação a R$ 2.510. Apesar disso, têm jornadas semanais mais extensas. Enquanto trabalham em média 46 horas, os demais profissionais brasileiros cumprem 39,5 horas por semana.

Outro dado que chama a atenção é que apenas 35,7% dos trabalhadores de aplicativo contribuem para a Previdência — entre os motociclistas, o número é de 22,3%. A título de comparação, 60,8% dos ocupados no setor privado contribuem para o INSS.

Reivindicações dos trabalhadores em app

Desde a pandemia, trabalhadores de app reivindicam aumento da tarifa, melhores condições de trabalho, treinamento e fornecimento de equipamentos de segurança e saúde. Em maio deste ano, a Associação dos Motoristas de Aplicativo de Santa Catarina participou de uma paralisação nacional, pedindo, entre outras reivindicações, o preço mínimo de R$ 10 para cada corrida e do valor mínimo de R$ 2 por quilômetro. 

Em pronunciamento, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas como Uber, 99 e iFood, destaca que pesquisas como a do IBGE “ratificam a necessidade de um debate sobre inclusão previdenciária e ganhos mínimos para os trabalhadores, pontos que vêm sendo defendidos pela associação”.

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— Somos favoráveis à construção de um modelo regulatório que amplie a proteção social dos profissionais e garanta um ecossistema equilibrado para entregadores, motoristas, usuários e plataformas —, pontua André Porto, diretor executivo da Amobitec.

Veja a nota completa, enviada ao NSC Total

A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) está analisando as estatísticas divulgadas nesta quarta-feira (25/10) pelo IBGE, embora sejam classificadas, pelo próprio órgão, como “experimentais, isto é, estão sob avaliação porque ainda não atingiram um grau completo de maturidade em termos de harmonização, cobertura ou metodologia”. A Amobitec observa que os dados da pesquisa são baseados somente em quem tem nos aplicativos seu trabalho principal, não sendo considerados aqueles que usam os apps como complemento de renda, que constituem parcela significativa do setor (cerca de 50%, segundo o Datafolha).

O relatório do IBGE reconhece que o trabalho por intermédio de plataformas tecnológicas foi impulsionado “pela crescente demanda por maior flexibilidade em relação a horários e locais de trabalho”. Outras pesquisas que consideraram também trabalhadores que complementam a renda nos aplicativos, como a realizada pelo Cebrap, a qual contou com dados administrativos das empresas do setor, destacam que a autonomia e flexibilidade são apontadas como principais benefícios das plataformas para 72% dos motoristas e para 60% dos entregadores; que os ganhos por hora são maiores do que a média do mercado para profissionais com a mesma escolaridade; e que eles trabalham, em média, de 22 a 31 horas (motoristas) e de 13 a 17 horas (entregadores) por semana.

A Amobitec considera positiva a realização de estudos como os do IBGE e do Cebrap, que ratificam a necessidade de um debate sobre inclusão previdenciária e ganhos mínimos para os trabalhadores, pontos que vêm sendo defendidos pela associação. “Somos favoráveis à construção de um modelo regulatório que amplie a proteção social dos profissionais e garanta um ecossistema equilibrado para entregadores, motoristas, usuários e plataformas”, afirma André Porto, diretor executivo da Amobitec.

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