No Brasil, São Jorge é um dos santos mais populares entre fiéis, que realizam diversas manifestações culturais e religiosas. Considerada uma das figuras religiosas mais cultuadas no Rio de Janeiro, o santo é padroeiro do estado e o dia do santo, comemorado nesta quinta-feira (23), é considerado feriado estadual.

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Mas diferente do que as ilustrações medievais sugerem, a trajetória de São Jorge não começou com um embate contra uma besta mítica, mas durante um ato de resistência civil e religiosa. O homem que hoje é padroeiro da Inglaterra, dos soldados e dos escoteiros, nasceu na Capadócia, local da atual Turquia, por volta do ano 280, sob o nome grego Georgios — que, curiosamente, significa “agricultor”.

Veja pinturas e monumentos de São Jorge

O conflito com o Império

A transição de soldado a mártir ocorreu no ano 303, segundo a Canção Nova. Alistado no exército do imperador Diocleciano, Jorge ocupava uma posição de prestígio quando um edito imperial ordenou a perseguição sistemática aos cristãos. Em um gesto de rebeldia que selaria seu destino, ele distribuiu seus bens aos pobres e rasgou o documento oficial diante do imperador, professando publicamente sua fé. O ato resultou em torturas e na sua execução por decapitação.

A construção do mito

O episódio mais famoso associado ao santo — a vitória sobre um dragão para salvar uma princesa na Lantiga Líbia — é uma adição tardia à sua biografia. Historiadores apontam que a narrativa ganhou força durante as Cruzadas, funcionando como uma alegoria da vitória da fé cristã sobre o mal. No Oriente, essa força é tamanha que Jorge é reverenciado com a mesma importância dedicada a São Miguel Arcanjo.

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Embora a Igreja Católica tenha classificado a Passio Georgii (o relato de seu sofrimento) como obra lendária no ano 496, a existência real do mártir é sustentada por evidências arqueológicas, segundo a Canção Nova. Em Lida, cidade israelense próxima a Telavive, ruínas de uma basílica erguida sobre sua sepultura ainda atraem peregrinos. Além disso, uma epígrafe grega datada do ano 368 faz menção direta a Jorge como um “triunfante mártir”.

Ritos e tradições

A influência de São Jorge ultrapassa as fronteiras do catolicismo romano. No Islã, ele é honrado com o título de “profeta”.

Apesar da sua enorme popularidade, em 1969 a Igreja Católica ajustou sua celebração litúrgica para “memória facultativa”. A decisão foi baseada na escassez de detalhes biográficos precisos sobre sua vida, mas não alterou o culto nem a devoção popular, que segue viva em orações que pedem proteção e caminhos abertos.

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