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Economia

Saque emergencial do FGTS: o que fazer com o dinheiro

Especialista dá dicas conforme a situação financeira de cada um em função da pandemia de coronavírus

16/06/2020 - 11h30 - Atualizada em: 16/06/2020 - 11h33

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Lariane
Por Lariane Cagnini
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Liberação dos valores começa dia 29 de junho
(Foto: )

O saque emergencial do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), de até R$ 1.045, passa a ser creditado a partir de 29 de junho. Quem tem saldo no Fundo, do emprego atual ou de contas inativas, deve analisar qual seu nível de necessidade para então decidir como irá utilizar o valor, explica o professor de finanças pessoais da Universidade Federal de Santa Catarima (UFSC), Jurandir Sell. 

Para o primeiro perfil, de pessoas com problemas de acesso a itens básicos como alimentação e medicamentos, Sell sugere que o dinheiro seja gasto nesse sentido. Os efeitos econômicos da pandemia de coronavírus têm colocado as pessoas em vulnerabilidade social em situações ainda mais extremas, e por isso o dinheiro deve ser usado imediatamente nesses casos.

Um segundo grupo, de pessoas com dívidas caras como o rotativo do cartão de crédito ou o cheque especial, pode aproveitar os R$ 1.045 para se livrar dos juros altos. O especialista também indica que, em casos onde há chance de negociar com o credor, vale a pena usar o saque emergencial para buscar uma redução no valor da dívida ou juros, por exemplo.

- É indicado pegar esse valor quem está precisando de fato, ou quem está com dívidas caras. Se não precisar, é melhor deixar lá pois está rendendo mais que o tesouro Selic, mais do que a caderneta de poupança, e é uma reserva para um momento de urgência. Tirar o dinheiro para fazer compras, por exemplo, não é indicado - alerta Sell.

O especialista reforça que, desde o ano passado, o FGTS voltou a ser visto como uma aplicação financeira, resgatando a função de quando foi constituído: ser uma poupança para o trabalhador. A partir do decreto do Governo Federal, ficou estabelecido que 100% dos resultados positivos do Fundo devem ficar para o trabalhador, o que aumenta a rentabilidade.

Por isso, para o terceiro grupo, se não há necessidade imediata de sacar o valor, a orientação é que o dinheiro permaneça no Fundo. O trabalhador pode entrar no site da Caixa e sinalizar que não quer receber. Quem não se manifestar, terá o valor depositado na poupança social digital. Caso não haja movimentação nessa conta até 30 de novembro de 2020, os recursos serão retornados à conta do FGTS, sem nenhum prejuízo ao trabalhador.

Ajuda com os aplicativos

Os aplicativos criados para que as pessoas tenham acesso aos benefícios, como do Auxílio Emergencial, por exemplo, podem ser um obstáculo para quem tem pouca familiaridade com mundo digital. Sell sugere que, quem puder auxiliar um amigo, pessoa idosa ou com dificuldade de acesso, irá ajudar "sem botar a mão no bolso".

- Acabei ajudando algumas pessoas a fazer o cadastro no auxílio liberado pelo Governo. Algumas situações, de pessoas de extrema vulnerabilidade, sem nenhuma renda. Se puder, auxilie pessoas próximas, é totalmente digital. É um efeito mutiplicador que podemos fazer - comenta.

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