Nos primeiros 14 dias de 2026, Santa Catarina registrou cinco ocorrências oficiais com resgates de cobras pelo Estado, segundo dados do Corpo de Bombeiros Militar repassados ao NSC Total. Isso equivale a pelo menos um acionamento à corporação a cada três dias, o que pode indicar um aumento no número de ocorrências com o verão e o calor intenso, que vem passando dos 35°C neste início de ano.
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De acordo com os bombeiros, as cidades que mais registraram ocorrências referentes ao resgate de cobras foram Florianópolis, com dois resgastes, Governador Celso Ramos e São José, todas na Grande Florianópolis, e em Itapema, no Litoral Norte catarinense. Os dados não especificam, no entanto, se as ocorrências foram relacionadas às cobras peçonhentas ou sem veneno.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, em Santa Catarina, as serpentes mais perigosas são a jararaca (Bothrops jararaca), a jararacussu (Bothrops jararacussu), a cascavel (Crotalus durissus) e a coral-verdadeira (Micrurus sp.). Na última semana, moradores de uma casa no bairro Saco Grande, em Florianópolis, levaram um susto ao se depararem com um jararacussu de grande porte com metade do corpo dentro de uma tubulação pluvial.
O animal, que possui um veneno mortal, deu trabalho para os bombeiros, que precisaram capturá-la com ajuda de um gancho, pinça e caixa específica para animais peçonhentos. Em um vídeo cedido pela guarnição, é possível ver a cobra tentando fugir, mas sendo capturada em seguida. Depois, o animal foi solto em seu habitat natural.
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No dia 15, um jovem foi vítima de uma picada de serpente, segundo o Corpo de Bombeiros Militar, na Costa da Lagoa, em Florianópolis. Como os bombeiros não estavam no local no momento do acidente, não foi possível confirmar a espécie da cobra, mas há a possibilidade de ter sido uma jararaca.
Os bombeiros foram até o local por meio do helicóptero Arcanjo-01, com apoio de uma embarcação. Assim, a vítima, menor de idade, foi estabilizada e levada para atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão.
Em uma consulta ao aplicativo CBMSC 193, foram encontradas 159 ocorrências relacionadas à cobras no Estado. Entretanto, nem todas se confirmam quando as guarnições chegaram ao local solicitado. A grande maioria diz respeito ao resgate de cobras, mas em uma das ocorrências, os bombeiros foram chamados para atender uma suspeita de picada de cobra.
O caso aconteceu no dia 4 de janeiro, no bairro Itacorubi, em Florianópolis, quando a guarnição chegou ao local e encontrou o animal dentro de um recipiente de vidro, capturado por moradores. A vítima não apresentava sinais ou sintomas compatíveis com envenenamento pela picada. Os bombeiros constataram, então, que a cobra era da espécie dormideira, não venenosa. A vítima não precisou ser levada ao hospital.
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Por que aparecem mais cobras no verão
Nessa época do ano, é comum que as cobras apareçam perto de residências, já que esses animais buscam locais propícios para caçar e se abrigar. De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar, as serpentes são as mais frequentes nas ocorrências. O capitão Tiago José Domingos explica que apesar de aparecerem com mais frequência no verão por causa do calor, as cobras fazem parte do ecossistema da Grande Florianópolis.
Ele afirma que ao encontrar um animal peçonhento, a recomendação é não se aproximar e manter uma distância segura, além de registrar uma foto. Depois, é necessário acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros para que a guarnição faça o recolhimento.
— Em situações de picada, a orientação é colocar gelo no local, elevar o membro afetado e ligar imediatamente para o 193. Sempre que possível, tente identificar ou fotografar o animal, pois essa informação é fundamental para a definição do tratamento e eventual uso de antídoto — disse.
Como evitar acidentes
Segundo o Corpo de Bombeiros, a maioria dos acidentes envolvendo cobras ocorre nas pernas, até a altura do joelho. Por isso, a corporação recomenda que se faça o uso de botas de cano alto ou botinas com perneiras em atividades agropecuárias ou de lazer em ambientes naturais, como trilhas no campo, praias ou na mata.
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Também não se deve colocar a mão em buracos ocos, amontoados de folhas secas, tocas ou qualquer outro local que possa ser utilizado pelas cobras como abrigo.
Como evitar cobras em casa
Para evitar que as cobras cheguem perto de residências, a população deve manter os locais livres de entulho, lenha, acúmulo de lixo, folhagem seca ou qualquer condição que propicie abrigo para esses animais ou a proliferação de roedores. Isso porque a maior parte das cobras se alimenta de ratos, principalmente as venenosas.

