Santa Catarina pode ter pela segunda vez um catarinense como candidato a presidente da República desde a histórica campanha de Esperidião Amin, atual senador, ao Palácio do Planalto, em 1994. O curioso é o que o nome da vez pode até surpreender por não ser uma figura exatamente identificada com a política de SC.

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Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos, mais conhecido como Cabo Daciolo (Mobiliza), anunciou que pretende concorrer à Presidência da República nas eleições de outubro deste ano. Filho de um coronel aviador da Aeronáutica, Daciolo nasceu em Florianópolis em 1976, mas a família sempre manteve ligação maior com o Rio de Janeiro, onde cresceu.

Cabo Daciolo ficou conhecido na política nacional após disputar o Palácio do Planalto em 2018 pelo partido Patriota. Naquela campanha, viu seu nome viralizar após algumas falas em debates eleitorais, como o que acusava o adversário Ciro Gomes (à época no PDT) de fazer parte da Ursal, uma suposta aliança socialista da América do Sul nunca comprovada.

A trajetória política, no entanto, teve início anos antes. Integrante do Corpo de Bombeiros Militar do Rio de Janeiro, Daciolo se notabilizou após liderar uma greve de bombeiros no Rio, em mobilização que chegou a lhe render nove dias de prisão, mas que projetou o papel de liderança.

Veja fotos dos pré-candidatos à Presidência em 2026

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Pastor evangélico, Daciolo já voltou a Santa Catarina para participar de eventos religiosos. Após passar por alguns partidos como o PDT, onde chegou a apoiar a campanha de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto em 2022, Daciolo voltou a colocar o nome à disposição para concorrer à Presidência da República nas eleições de 2026, desta vez pelo Mobiliza, partido ao qual está filiado.

Em 2023, ele perdeu a esposa, Cristiane Daciolo, de 52 anos, que anos antes havia sido diagnosticada com leucemia.

Em um vídeo recente, Daciolo chegou a defender prisão perpétua a Lula e ao ex-presidente Jair Bolsonaro — instrumento que, vale lembrar, não existe no Brasil —, justificando o argumento com passagens bíblicas e chamando os dois políticos de “verdadeiros bandidos da nação”.

Campanha de Amin em 1994

Caso confirme a candidatura à Presidência da República este ano, Daciolo vai encampar pela segunda vez uma candidatura à Presidência liderada por um catarinense, oito anos após a primeira tentativa.

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Antes disso, a única vez em que o Estado teve um candidato a presidente desde a redemocratização e a volta das eleições diretas para o cargo, em 1989, foi com a candidatura de Esperidião Amin, que disputou o posto em 1994. Na época, Amin era senador, mesmo cargo ocupado por ele atualmente. Ele concorreu pelo então Partido Progressista Reformador (PPR), legenda que antecedeu o PPB, atual PP, ao qual ele ainda é filiado.

As eleições de 1994 ocorreram meses após o lançamento do Plano Real e foram vencidas pelo sociólogo Fernando Henrique Cardoso, ex-ministro da Fazenda do governo de Itamar Franco e nome que ganhou popularidade com a estabilidade econômica obtida com a nova moeda.

Amin terminou a disputa em sexto lugar, com 1,7 milhão de votos, atrás de FHC (PSDB), Lula (PT), Enéas Carneiro (Prona), Orestes Quércia (PMDB) e Leonel Brizola (PDT).