Tatiane Zanaro, Erika Borges, Bárbara de Silveira Bagé e Karen Gabrielle Magalhães Pena são mulheres de Santa Catarina que tinham diferentes idades, profissões e sonhos, mas que tiveram a vida interrompida por um mesmo crime: o feminicídio. Os assassinatos aconteceram entre sábado (18) e domingo (19), considerado o final de semana mais violento para as mulheres em 2026. Somente neste ano, 20 mulheres perderam a vida em razão de gênero no Estado — ou seja, a cada cinco dias, uma mulher foi vítima de feminicídio nos primeiros meses do ano.

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O primeiro caso aconteceu por volta de 10h30min de sábado (18), em Passos Maia, no Oeste de Santa Catarina. Tatiane Zanaro, de 34 anos, e Erika Borges, de 19, eram mãe e filha e foram encontradas mortas com ferimento de arma de fogo em uma casa no Centro da cidade.

O principal suspeito pelo crime é o ex-companheiro de Tatiane, um homem de 55 anos. Ele atentou contra a própria vida após assassinar as vítimas. As circunstâncias do caso, bem como a motivação e a dinâmica dos fatos, ainda não foram esclarecidas.

Tatiane era professora e atuava na Escola de Educação Básica Professora Corália Gevaerd Olinnger. Erika havia se formado em setembro de 2025 no curso técnico em Administração e atualmente cursava Ciências Contábeis.

Ainda no sábado, por volta de 10h40min, Karen Gabrielle Magalhães Pena, de 25 anos, foi morta por disparos de arma de fogo em Alfredo Wagner, na Grande Florianópolis. De acordo com a Polícia Militar (PM), testemunhas alegam que um homem, ainda não localizado, foi visto fugindo do local de moto e sem capacete. O caso foi registrado pela polícia como feminicídio.

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Bárbara de Silveira Bagé, de 26 anos, morreu após ser asfixiada em Balneário Rincão, no Sul de Santa Catarina. O principal suspeito é um homem, de 31 anos, que confessou o crime à família da vítima após cometer o crime. Ele fugiu do local e ainda não foi localizado pela polícia.

Quem são as vítimas de feminicídio

“Período anormal de violência”, diz delegada

Em apenas um mês, o número de feminicídios dobrou em Santa Catarina. Dados da Secretária da Segurança Pública (SSP/SC) apontam que casos relacionados ao assassinato de mulheres em razão de gênero saiu de oito para 16 vítimas, entre 13 de março e 16 de abril deste ano. Com as vítimas do último final de semana, o número de assassinato de mulheres por razão de gênero chega a 20 no Estado.

Para a delegada Patrícia Zimmermman, coordenadora das Delegacias de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami), Santa Catarina vive um “período anormal de violência”. No entanto, alega que os crimes no Estado acompanham o crescimento nacional.

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Já a presidente da Comissão Nacional de Combate à Violência Doméstica da OAB Nacional, Tammy Fortunato, explica que há um motivo para esse “padrão”: a ingestão de bebida alcoólica pelos agressores.

As pessoas, segundo a especialista, deixam para ingerir bebidas alcoólicas aos finais de semana pois trabalham durante a semana e querem ter um momento de relaxamento no período de descanso. Porém, o efeito do álcool no cérebro pode ser determinante para as ações violentas de algumas pessoas, agindo como se fosse um “gatilho”.

— Nós temos no nosso sistema nervoso uma questão chamada de freio inibitório. Quando ingerimos bebida alcoólica, esse freio inibitório fica prejudicado. Com isso, as pessoas colocam para fora a raiva, frustração, insegurança e medo, e acabam descontando na mulher — explica.

No entanto, em um artigo escrito em conjunto com o doutor em Farmacologia Leandro Franco Vendruscolo, a advogada aponta que o consumo de bebida alcoólica não isenta o homem de suas responsabilidades. Isto porque o consumo de álcool “não muda a personalidade da pessoa e a tendência de comportamento agressivo”. “A culpa é da pessoa e não do álcool”, escreveu.

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A adovgada ressalta que os números alarmentes de femicídios nos primeiros meses de 2026 em Santa Catarina mostram que o Estado ainda é falho na questão de prevenção. Tammy também destaca a importância de denunciar casos de violência doméstica.

— É muito importante trabalhar essa questão da prevenção nas escolas nas empresas para que as pessoas saibam o que que é a violência contra a mulher o que que é a violência doméstica. Uma questão também bastante importante, que é preciso trabalhar com essas pessoas que estão em situação de violência, é a importância de registrar um boletim de ocorrência. Porque quando elas registram um boletim de ocorrência, já aconteceu um primeiro passo, que é um passo muito importante, que é o de se reconhecer em situação de violência doméstica.

Violência contra mulher: quais os tipos e como denunciar