Stephanny Cassiana foi esfaqueada várias vezes pelo companheiro de uma amiga e dada como morta no hospital. Marivane Fátima Sampaio foi brutalmente agredida pelo ex-companheiro dentro da própria casa. Ela não resistiu aos ferimentos e também morreu no hospital. Juvilete Kviatkoski e a filha, de 15 anos, foram esfaqueadas e mortas pelo marido e pai, respectivamente. Estes são crimes que ocorreram entre os dias 1° e 9 de janeiro de 2026 em Santa Catarina. Todos são investigados como feminicídio pela Polícia Civil.

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Os quatro feminicídios registrados nos primeiros dias de 2026 já superam o total de janeiro de 2025. Segundo o Observatório da violência Contra a Mulher, entre 1° e 31 de janeiro do ano passado, três mulheres foram assassinadas em razão de gênero em Santa Catarina. Todos os agressores tinham, em comum, um relacionamento com as vítimas.

Quatro feminicídios em nove dias

O primeiro caso deste ano ocorreu em 1° de janeiro, em São João Batista, na Grande Florianópolis. A vítima, Stephanny Cassiana, foi encontrada caída no chão da sala da casa de uma amiga com mais de 10 golpes de faca no peito e na cabeça. O suspeito é o companheiro da amiga. Ele ainda não foi localizado pela polícia. 

No dia seguinte, no dia 2 de janeiro, outro feminicídio foi registrado em Santa Catarina. Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi encontrada em estado grave dentro da própria casa em Chapecó, no Oeste de Santa Catarina. Ela chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu e morreu quatro dias depois do crime. 

Segundo informações apuradas pela polícia, o principal suspeito é o ex-companheiro, de 27 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. Ele morreu no dia em que cometeu o crime. Testemunhas relataram ter visto um homem pulando a grade da residência logo após o crime e fugindo a pé.

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Ainda conforme familiares, Marivane já havia solicitado medidas protetivas de urgência devido a ameaças recorrentes feitas pelo ex-companheiro. No imóvel, os policiais localizaram um boletim de ocorrência recente por ameaça, além de outros registros anteriores envolvendo o mesmo suspeito. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que trata o ocorrido como feminicídio.

Já no dia 9 de janeiro, Juvilete Kviatkoski foi encontrada morta dentro da residência, em União do Oeste, no Oeste catarinense, enquanto a filha, de 15 anos, apresentava ferimentos causados por golpes de faca. A adolescente chegou a ser levada para o hospital, mas não resistiu. A Prefeitura de União do Oeste confirmou que o suspeito do crime é o marido e pai das vítimas, respectivamente. 

Após o crime, o suspeito foi localizado pelas forças de segurança e houve confronto com a Polícia Militar. O homem foi baleado e morreu no local.

Quem são as vítimas

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Cenário expõe falha na prevenção da violência de gênero

Para a promotora de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Chimelly Marcon, o cenário expõe uma falha sistêmica na prevenção da violência de gênero. Segundo a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres (NEAVID), o feminicídio não é um ato isolado, mas o desfecho de uma trajetória marcada por violências anteriores. 

— Esses números indicam não apenas a persistência do problema, mas também a insuficiência das respostas institucionais em interromper ciclos anunciados de violência — destaca 

A promotora ressalta que determinados períodos do ano tendem a concentrar maior incidência de violência contra mulheres. Finais e inícios de ano, por exemplo, reúnem fatores de risco como maior convivência doméstica, consumo elevado de álcool, tensões econômicas e mudanças de rotina. 

— Esses elementos não explicam a violência por si só, mas funcionam como catalisadores de tragédias quando não há políticas públicas contínuas de prevenção e proteção efetiva às mulheres em situação de risco — pontua.

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Além do impacto direto nas vítimas, os números refletem na percepção de segurança das mulheres em geral. A recorrência de casos em curto espaço de tempo gera medo, insegurança e a necessidade de redobrar cuidados nas relações e nos deslocamentos cotidianos. 

— Muitas mulheres passam a rever rotinas e decisões com base no medo, o que mostra que a violência de gênero afeta toda a coletividade feminina. Esse cenário reforça a importância de fortalecer políticas de prevenção, redes de proteção e ações integradas, capazes de ampliar a confiança das mulheres de que não estão sozinhas e de que há respostas institucionais em construção — enfatiza a promotora.

Conheça os tipos de violência contra a mulher e como pedir ajuda