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    SC tem 4,6 mil casos de dengue em 2020, maior número já registrado em um único ano

    Marca foi alcançada em menos de cinco meses. Dez cidades estão em situação de epidemia

    25/05/2020 - 10h07 - Atualizada em: 25/05/2020 - 17h02

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    Por Guilherme Simon
    Dengue em SC
    (Foto: )

    Santa Catarina tem 4.601 casos confirmados de dengue em 2020, o maior número já registrado em um único ano no Estado. A marca foi alcançada em menos de cinco meses. Até então o maior número era o de 2016, quando foram 4.379 diagnósticos em 12 meses.

    Os dados constam no mais recente boletim sobre a dengue da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive-SC), publicado na sexta-feira (22).

    De acordo com ele, Santa Catarina teve os 4.601 diagnósticos de dengue entre 29 de dezembro de 2019 e 16 de maio de 2020. Há ainda outros 5.032 casos sob investigação.

    Do total de confirmados, 4.265 casos são autóctones (transmissão dentro do estado), 158 casos são importados (transmissão fora do estado), 79 casos são indeterminados e 99 casos estão em investigação. Até o momento, nenhuma morte foi registrada pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

    Nos outros três anos em que o Estado teve epidemias de dengue, o total de casos foi de 1.911 (2019), 4.379 (2016) e 3.619 (2015). Os dois únicos óbitos pela doença já ocorridos em Santa Catarina foram em 2016.

    De acordo com o João Fuck, gerente de Vigilância de Zoonoses da Dive-SC, o aumento de casos gera preocupação, ainda mais por ser registrado em meio à pandemia do novo coronavírus.

    Ele acredita que o cenário atual é resultado de uma série de fatores, e cita ao menos dois, a falta de cuidados de prevenção por parte da população e mudanças no clima.

    — No caso da dengue, a gente tem medidas de prevenção e não damos a importância no dia a dia. Precisamos retomar essas medidas e sensibilizar as pessoas. A doença está muito próxima. Evitar manter água parada continua sendo a medida mais efetiva — destaca.

    — Outro fator importante é a questão climática. A gente vem passando por uma mudança nos últimos anos, com invernos menos rigorosos, gerando condições para que o mosquito se reproduza ao longo de todo o ano — complementa.

    Novo sorotipo

    A Dive-SC também informou que um novo sorotipo da doença foi identificado no Estado, o DENV4. Segundo o órgão, há outros dois sorotipos em Santa Catarina, o DENV1 e o DENV2, e é a primeira vez que há três circulando simultaneamente em território catarinense. Por conta disso, a Vigilância Epidemiológica afirma que quem pegou dengue uma vez pode pegar de novo, por causa do novo sorotipo.

    Dez cidades em situação de epidemia

    Ainda conforme o boletim da Dive-SC, no momento 10 cidades catarinenses vivem uma epidemia de dengue.

    Uma delas é Joinville, que registra o maior número de casos autóctones (2.958), 69,4% do total no ano de 2020, com uma taxa de incidência de 501 casos por 100 mil habitantes.

    As outras cidades são São Carlos, Formosa do Sul, Coronel Freitas, Bombinhas, Maravilha, Tijucas, Águas de Chapecó, São Miguel do Oeste e Caibi. São Carlos tem a maior taxa de incidência, com 930,8 casos por 100 mil habitantes.

    A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

    Sinais e sintomas

    Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C), de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

    A doença pode evoluir para um quadro grave. Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes também podem apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

    Orientações contra a proliferação

    - evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;

    - guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;

    - mantenha lixeiras tampadas;

    - deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;

    - plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;

    - trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;

    - mantenha ralos fechados e desentupidos;

    - lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;

    - retire a água acumulada em lajes;

    - dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;

    - mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;

    - evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;

    - denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;

    - caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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