O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) instaurou um procedimento administrativo com o objetivo de criar um banco de dados específico sobre os órfãos do feminicídio no Estado. A iniciativa visa identificar, mapear e estruturar informações sobre crianças e adolescentes que perderam familiares em decorrência do assassinato de mulheres em razão de gênero, com o intuito de fundamentar a criação de políticas públicas na área.

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A iniciativa, conduzida pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), busca produzir dados qualificados que permitam identificar onde estão esses órfãos, compreender suas realidades e fortalecer ações de assistência e acompanhamento. Segundo a promotora de Justiça Chimelly Louise de Resenes Marcon, a construção da base de dados permitirá compreender melhor a realidade e consolidar políticas de proteção no Estado.

— O feminicídio produz impactos que ultrapassam a violência letal contra a mulher. Quando uma mulher é vítima desse crime, seus filhos também são profundamente afetados, muitas vezes passando a enfrentar ruptura familiar, sofrimento emocional, insegurança social e vulnerabilidade econômica. Apesar disso, ainda há escassez de dados estruturados sobre esses órfãos — destaca a promotora.

Os dados consolidados deverão subsidiar tanto a identificação de crianças e adolescentes quanto o aprimoramento dos fluxos de atendimento dessas vítimas indiretas, sempre em conformidade com as normas de proteção de dados pessoais e informações sensíveis. 

Quem são as vítimas de feminicídio em SC em 2026

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Mapa do feminicídio revelou quem são as vítimas em SC

A produção do banco de dados sobre os órfãos do feminicídio considera como base o Mapa do Feminicídio em Santa Catarina, lançado em março pelo MPSC. O levantamento reúne, organiza e interpreta os feminicídios ocorridos entre 2020 e 2024, quando o Estado registrou 335 vítimas do crime.

O Mapa do Feminicídio em Santa Catarina constitui um importante instrumento de diagnóstico institucional e de produção de conhecimento qualificado sobre a violência letal de gênero, permitindo a identificação de padrões, vulnerabilidades e impactos sociais decorrentes dos feminicídios.