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Relatório Dive

Secretaria de Saúde de SC investiga dois novos casos de febre amarela em humanos

Relatório divulgado pelo Dive-SC cita situações suspeitas em Blumenau e Joinville

16/05/2019 - 19h06 - Atualizada em: 16/05/2019 - 23h07

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Por Camila Levien

O último relatório sobre a febre amarela ampliou a vigilância contra a contaminação da doença no Estado. Os dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC), divulgados nesta quinta-feira (16) apontam dois novos casos suspeitos.

Até o momento, a Diretoria divulgou apenas que os pacientes são dois homens que vivem perto de áreas de mata. Um deles em Joinville, cidade que registrou a primeira morte confirmada pelo vírus em 53 anos no Estado. O outro em Blumenau, região que já tem registro de mortes de macacos pela doença. A previsão da Dive-SC é que o resultado da investigação seja liberado em até sete dias.

A maior preocupação do Programa de Vigilância contra a Febre Amarela no Estado é a rota que o mosquito deve percorrer durante os próximos meses. Em maio encerra-se o período caracterizado como de "alta ocorrência", quando há condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento do inseto. Entretanto, é justamente no período de baixa que a vigilância deve ser aumentada.

— O vírus chegou em SC no final do período de alta, em fevereiro e março. Os ovos do mosquito são extremamente resistentes e podem durar até um ano em períodos de seca. Portanto, a partir de agosto e setembro quando o período de chuvas recomeçar devemos ter novos mosquitos eclodindo no Estado – explicou a coordenadora do programa, Renata Ríspoli Gatt.

O foco da migração do inseto deve ser em direção à Serra catarinense, é o que diz o estudo realizado pela Dive em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O cruzamento das características do mosquito, com a localização das mortes de macacos notificadas em SC, apontam que ele deve seguir os corredores ecológicos da Mata Atlântica.

— Essa região, a Serra, é muito silenciosa. Normalmente quando recebemos notificações de macacos mortos já se passaram três dias ou mais. Isso impossibilita a definição de morte por febre amarela. Cidades como Curitibanos, Lages e Urupema devem permanecer vigilantes para os casos de primatas mortos – alertou Renata.

Desde janeiro deste ano, 138 macacos foram encontrados mortos em SC, de acordo com o último relatório da Dive. Os animais são usados como vetores de monitoramento para os pesquisadores, pois são as primeiras vítimas do mosquito em qualquer ambiente.

Vacinação abaixo da média em SC

Aproximadamente 1,8 milhão de catarinenses ainda precisam tomar a vacina contra o vírus da febre amarela, é o que aponta a última estimativa da Dive. Percentualmente a cobertura da imunização no Estado é de 66,8%, consideravelmente abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde.

A responsável pela Divisão de Imunização do Estado Arieli Fialho, comenta que a recomendação de vacinação para todo o Estado é recente, foi lançada no segundo semestre de 2018.

— Hoje a cobertura de imunização precisa avançar especialmente no Litoral. Esse é o ponto que concentra o maior número de pessoas que não tem a vacina e também está próximo de algumas das regiões com registro do mosquito. Já o Oeste tem maior cobertura vacinal, pois a recomendação para esta região persiste há vários anos – comentou.

Todos os postos de saúde de SC possuem a vacina contra o vírus. A estimativa é que só neste ano foram aplicadas 987 mil doses. A vacina deve ser tomada apenas uma vez na vida.

Quem não deve tomar a vacina da febre amarela?

- Pessoas infectados pelo vírus HIV com imunossupressão grave;

- Crianças menores de 9 meses de idade;

- Pacientes com imunodepressão de qualquer natureza;

- Transplantados;

- Indivíduos com imunodeficiência primária;

- Portadores de neoplasia;

- Mulheres amamentando crianças menores de seis meses;

- Pessoas com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (gelatina bovina, ovo de galinha e seus derivados, por exemplo).

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