O médico clínico-geral Neandro Schiefler, de 46 anos, preso em São Paulo após condenação por estuprar pacientes e filmar os crimes em Santa Catarina, já havia sido alvo de medidas disciplinares do Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC) durante o período em que era investigado pelas denúncias. Ele estava foragido desde o ano passado, quando recebeu a condenação de 16 anos e quatro meses da Justiça catarinense. A informação da prisão foi divulgada pela polícia neste domingo (3).

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Em fevereiro de 2019, a Divisão de Investigação Criminal (DIC) prendeu Neandro enquanto ele fazia plantão na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Cordeiros, em Itajaí. Ele ficou preso até setembro daquele ano, quando ganhou da Justiça o direito de responder ao processo em liberdade.

Na época, a gravidade das denúncias levou o CRM-SC a instaurar um procedimento ético contra o médico. Em agosto de 2019, o conselho aplicou uma interdição cautelar que proibia Neandro de exercer a profissão por seis meses.

Anos depois, o caso também resultou na cassação definitiva do exercício profissional do médico. Em publicação divulgada em junho de 2023, o CRM-SC informou que a pena disciplinar foi aplicada após decisão no Processo Ético-Profissional nº 055/19, mantida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).

No documento, o conselho afirma que Neandro Schiefler, registrado no CRM-SC sob o número 19.489, infringiu artigos do Código de Ética Médica. Entre os pontos citados pelo órgão estão:

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  • deixar de obter consentimento do paciente para procedimentos;
  • tratar pacientes sem civilidade ou consideração;
  • desrespeitar a dignidade humana;
  • desrespeitar o pudor de pessoas sob seus cuidados profissionais;
  • e aproveitar-se da relação médico-paciente para obter vantagem física, emocional, financeira ou de outra natureza.

A cassação do exercício profissional é a punição mais grave prevista pelo conselho para médicos.

Médico foi condenado a 16 anos de prisão em 2025

condenação ocorreu em outubro de 2025, quando a Segunda Vara Criminal da Comarca de Itajaí, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), determinou pena de 16 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude.

Ele foi preso em Praia Grande, no litoral paulista, após ser identificado por câmeras de monitoramento do município. Depois do reconhecimento facial, agentes da Guarda Civil Municipal (GCM) abordaram Neandro na Avenida dos Sindicatos, no bairro Mirim.

Durante a abordagem, os guardas constataram que ele era procurado pela Justiça catarinense. Em seguida, o homem foi encaminhado ao 1º Distrito Policial (DP), onde a prisão foi formalizada.

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Segundo o mandado de prisão, a Justiça concluiu que o médico praticou violação sexual mediante fraude em três ocasiões, além de estupro de vulnerável contra pessoas que, por enfermidade ou deficiência mental, não tinham condições de oferecer resistência.

NSC Total não localizou a defesa do médico até a publicação da reportagem.

Como funciona sistema de reconhecimento facial que identificou médico?

*Com informações do g1