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Sergio Moro avisa autoridades que mensagens apreendidas com hacker serão destruídas

Ministro da Justiça tem entrado em contato com autoridades para avisar sobre destino de mensagens após operação da Polícia Federal

25/07/2019 - 19h13 - Atualizada em: 25/07/2019 - 19h28

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Por Folhapress
Sérgio Moro, ministro da Justiça
Sérgio Moro telefonou para o presidente do STJ para comunicar que ele estava na lista dos alvos do grupo preso na última terça-feira (23) pela Polícia Federal
(Foto: )

*Por Camila Mattoso e Rubens Valente

O ministro da Justiça, Sergio Moro, tem avisado as autoridades vítimas de hackers que as mensagens capturadas pelo grupo preso pela Polícia Federal serão destruídas. O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio Noronha, afirmou à reportagem, nesta quinta-feira (25), que a informação foi dada pelo próprio ministro por telefone. A comunicação foi confirmada pela assessoria de Moro.

O ministro telefonou a Noronha para comunicar que ele estava na lista dos alvos do grupo preso na última terça-feira (23) pela Polícia Federal.

— Recebi pelo ministro Moro a notícia de que fui grampeado. Não tenho nada que esconder, não estou preocupado nesse sentido. As mensagens serão destruídas, não tem outra saída. Foi isso que me disse o ministro e é isso que tem de ocorrer — disse.

Em depoimento ao Senado no dia 19 de junho, Moro defendeu que o site Intercept Brasil, que divulgou as mensagens, entregasse o material para ser periciado.

— Pega o material e entrega para uma autoridade, sem prejuízo da publicação das matérias. Aí vai se poder verificar por inteiro esse material, o contexto no qual ele foi inserido e principalmente verificar se esse material é autêntico ou não. Porque até agora não temos nenhuma demonstração da origem desse material — declarou Moro na ocasião.

Para a Polícia Federal (PF), Walter Delgatti Neto foi a fonte do material que tem sido publicado desde junho pelo site Intercept Brasil com conversas de autoridades da força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba.

Em depoimento, Delgatti disse que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira. Quando as primeiras mensagens vieram à tona, em 9 de junho, o site informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram a partir de 2015.

Caso haja entendimento de que Moro estava comprometido com a Procuradoria (ou seja, era suspeito), as sentenças proferidas por ele podem ser anuladas. Isso inclui o processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está sendo avaliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O artigo 254 do Código de Processo Penal afirma que "o juiz dar-se-á por suspeito, e, se não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes" se "tiver aconselhado qualquer das partes". Já o artigo 564 afirma que sentenças proferidas por juízes suspeitos podem ser anuladas.

Leia também: Suspeitos presos pela Polícia Federal por invasão de celular de Moro já foram detidos em SC

Material apreendido pela PF contém conversar entre procuradores

Na operação realizada na terça-feira (23), a perícia criminal da Polícia Federal copiou dados guardados pelo suspeito preso em plataformas de nuvens na internet que sugerem veracidade em pelo menos algumas das declarações de Walter Delgatti Neto, um dos quatro presos sob suspeita de hackear autoridades.

Nesse material apreendido estão conversas entre procuradores da Lava Jato como as que foram divulgadas pelo Intercept. Segundo informações da investigação, o presidente do STJ teve mensagens copiadas. De acordo com Noronha, não há motivo para se periciar as mensagens.

— Seria uma devassa, não faz sentido algum — afirmou.

Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), também foram vítimas de ataques hackers. Segundo informações da PF, mais de mil pessoas podem estar na lista de alvos dos hackers, inclusive o presidente Jair Bolsonaro. Em alguns casos, os ataques tiveram sucesso, mas em outros não – o que está em apuração.

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